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Morre ex-presidente do México Miguel de la Madrid aos 77 anos

O ex-presidente do México Miguel de la Madrid Hurtado (1982-1988), conhecido por ser o primeiro presidente a aplicar políticas neoliberais, morreu neste domingo aos 77 anos por consequências de um enfisema pulmonar, segundo informações de fontes oficiais e da imprensa local.

“A doença dele era respiratória, mas também sofria de insuficiência renal”, disse o filho do ex-presidente, Enrique, à imprensa, na residência localizada no bairro de Coyoacán, sul da Cidade do México, onde o corpo de De la Madrid foi velado.

De la Madrid “enfrentou duras adversidades durante seu mandato, no período 1982-1988, e foi um mexicano com um profundo compromisso com o país, o que demonstrou no desempenho de diversos cargos na administração pública”, afirmou a presidência em comunicado.

Miguel de la Madrid, que teve de enfrentar uma severa crise econômica e o terremoto de 1985 que deixou 6.000 mortos, foi alvo de polêmicas, como sua reação no terremoto de 19 de setembro de 1985.

Naqueles dias rejeitou inicialmente ajuda internacional e a participação das forças armadas nos trabalhos de busca e resgate.

O último episódio notório protagonizado por ele foi em maio de 2009 quando em uma entrevista com uma jornalista mexicana acusou seu sucessor, Carlos Salinas de Gortari (1988-1994), de fomentar a corrupção e roubar fundos públicos, e assegurou que seu irmão Raúl teve contato com narcotraficantes.

Imediatamente seu gabinete divulgou uma carta na qual ele retirava o que disse. “Me encontro convalescendo de um estado de saúde que não me permite processar diálogos adequadamente”, dizia a missiva.

Salinas de Gortari participou do velório de seu antecessor e disse: “a presidência de Miguel de la Madrid foi muito difícil, mas o que o México mudou para o bem nos últimos 25 anos foi iniciado com ele, foi iniciado um ciclo de modernização”, disse Salinas de Gortari à imprensa.

Graduado em direito pela Universidade Nacional Autônoma do México e com pós-graduação em Harvard, de la Madrid iniciou uma mudança no rumo do país, que passou de uma economia fechada para uma nação sem barreiras e aberta ao exterior.

“Lamento profundamente a morte do ex-presidente Miguel De La Madrid. Ele que enfrentou tantas adversidades em seu mandato. Descanse em paz”, escreveu em seu Twitter o presidente mexicano, Felipe Calderón.

A presidente do Conselho Nacional de Cultura e Artes, Consuelo Sáizar escreveu, por sua vez, em seu Twitter, que lamenta “profundamente o falecimento de Miguel de la Madrid, que também foi diretor do Fundo de Cultura Econômica”.

De la Madrid também foi titular da extinta secretaria de Programação Orçamentária (1978-1981), transformada posteriormente em ministério da Fazenda.