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Morre 12º tibetano imolado na China neste ano

Por Da Redação 9 dez 2011, 13h44

Pequim, 9 dez (EFE).- Uma organização de tibetanos no exílio informou nesta sexta-feira que o 12º religioso que ateou fogo ao próprio corpo neste ano em protesto pela repressão do regime chinês contra essa etnia morreu nesta semana em um hospital.

O Centro Tibetano para os Direitos Humanos e a Democracia (CTDHD), com sede na Índia, informou nesta sexta-feira por comunicado que Tenzin Phuntsok, um antigo monge de 46 anos que ateou fogo ao próprio corpo em 1º de dezembro morreu cinco dias depois, na terça-feira desta semana.

As fontes entrevistadas por essa organização indicam que o corpo do tibetano foi entregue a seus familiares dois dias após sua morte.

Antes de se suicidar em protesto pelas políticas de Pequim, Phuntsok distribuiu panfletos nos quais expressava sua solidariedade aos monges locais e criticava o Governo chinês, na localidade de Carma, em Chamdo, na região autônoma do Tibete.

A Polícia chinesa apagou as chamas e transferiu Phuntsok para o hospital de Chamdo.

Segundo o CTDHD, a esposa de Phuntsok foi detida depois da imolação e desde então não há informações sobre seu paradeiro. O casal tinha três filhos.

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Os grupos tibetanos no exílio afirmaram que Phuntsok era um ex-monge do mosteiro de Carma que se sentia muito frustrado pelos ataques militares ao mosteiro desde 26 de outubro, quando explodiu uma bomba em um prédio do Governo na região. Muitos dos monges foram detidos e expulsos do mosteiro.

De acordo com as fontes consultadas pelo CTDHD, um dos filhos de Phuntsok era um dos monges obrigados a retornar para suas casas depois do ataque ao mosteiro e, após sua saída, foi constantemente perseguido e ameaçado pela Polícia para revelar informações sobre os outros religiosos.

A maior parte dos tibetanos que se suicidou neste ano pediu liberdade para o Tibete e o retorno do líder espiritual exilado na Índia em 1959, o dalai lama, após uma fracassada rebelião contra a última ocupação chinesa, em 1951.

A China afirma que o Tibete sempre fez parte de seu território, enquanto grupos tibetanos no exílio dizem que a região do Himalaya foi virtualmente independente durante séculos, sob diversos protetorados chineses em várias dinastias até a ocupação da região pelas tropas britânicas em 1903.

O Governo chinês, que nega a repressão aos tibetanos, condenou em várias ocasiões a série de imolações, ações que considera atos ‘terroristas’, e acusou o dalai lama de instigá-las por ter organizado orações em homenagem aos mortos, o que Pequim considera uma ‘beatificação’.

As autoridades da região autônoma não confirmaram à imprensa nenhum dado sobre a última imolação, já que o Governo impede o acesso ao Tibete a jornalistas e observadores estrangeiros desde 2008, quando o violento conflito étnico deixou dezenas de civis mortos.

Além do Tibete, outras regiões chinesas com minorias locais, como a de Xinjiang, registraram hostilidades similares nos últimos anos entre esses grupos e colonos chineses nas quais morreram centenas de civis em 2009. EFE

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