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Morales volta à Bolívia depois de desvio de rota na Europa

Avião que levava o presidente boliviano de Moscou a La Paz teve de ser desviado para Viena na terça. Evo Morales ficou quase 13h na capital austríaca

Depois de desviar a rota para Viena, na Áustria, e fazer uma escala no arquipélago espanhol das Ilhas Canárias, o avião presidencial de Evo Morales decolou rumo a La Paz, nesta quarta-feira. A viagem de volta do presidente boliviano de Moscou acabou virando um imbróglio diplomático envolvendo o ex-técnico da CIA Edward Snowden, que revelou informações sobre programas secretos de vigilância do governo americano. O ministro de Relações Exteriores da Bolívia, David Choquehuanca, disse nesta terça que o plano de voo teve de ser reformulado depois que Portugal e França proibiram a aeronave de cruzar seu espaço aéreo por temor de que Snowden estivesse a bordo – o que a Bolívia negou. O caso serviu de palanque para as autoridades bolivianas, que passaram a acusar o ‘imperialismo’ americano de influenciar na decisão dos países europeus.

Assim que a Espanha autorizou o pouso nas Ilhas Canárias, o avião deixou Viena – isso, depois de passar quase 13 horas na capital austríaca. Autoridades fizeram uma checagem na aeronave e confirmaram que Snowden não estava no voo. “Nossa equipe no aeroporto checou o avião e pode assegurar que ninguém que não seja cidadão boliviano estava a bordo”, disse o ministro de Relações Exteriores Michael Spindelegger a jornalistas. Ele chamou o trabalho de “verificação voluntária”.

Na Bolívia, o presidente em exercício, Álvaro García, disse que os embaixadores da Itália (que também teria se recusado a permitir a passagem do avião boliviano), França e o cônsul de Portugal serão convocados para dar explicações. Acrescentou que o caso foi denunciado às Nações Unidas. García elevou o tom das acusações ao dizer que Morales “foi sequestrado” devido à decisão “prepotente” de fechar o espaço aéreo.

A Bolívia conseguiu a solidariedade de países da região, com Venezuela, Argentina, Equador e Uruguai condenando a decisão de fechar o espaço aéreo. Durante a tarde, a presidente Dilma Rousseff também se manifestou a favor de Morales. Em nota, expressou “indignação e repúdio ao constrangimento imposto ao presidente” boliviano e disse que o constrangimento atinge “toda América Latina”, “compromete o diálogo entre os dois continentes e possíveis negociações entre eles”.

Morales estava em Moscou participando de um fórum sobre energia. Ele concedeu uma entrevista a uma emissora russa dizendo que consideraria um pedido de asilo de Snowden, que está desde o dia 23 em uma zona de trânsito do aeroporto de Sheremetyevo, impedido de sair, porque seu passaporte foi cancelado pelos EUA. Ele foi acusado de espionagem, furto e apropriação indevida de propriedade do governo. Washington quer que ele seja julgado em território americano e iniciou uma caça ao delator, que, antes mesmo da divulgação das informações, havia viajado a Hong Kong (de lá seguiu para Moscou).