Moeda iraniana atinge valor mais baixo da história em ‘Dia D Econômico’ de Trump
Rial é negociado a mais de 2 milhões por um dólar americano, mas presidente do Banco Central do Irã minimiza: 'Propaganda política dos EUA'
O rial, a moeda iraniana, atingiu nesta segunda-feira, 24, o valor mais baixo registrado na história frente ao dólar, em meio a uma campanha dos Estados Unidos para mutilar a economia do Irã após quase seis meses de guerra. O secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, deve anunciar um conjunto de novas sanções, apelidadas de “Dia D Econômico“, em uma coletiva de imprensa às 14h de Brasília.
De acordo com o site de monitoramento TGJU, o rial foi negociado nesta segunda a mais de 2 milhões por um dólar no mercado paralelo. Foi uma depreciação de 4,5% desde que Donald Trump anunciou uma “operação econômica devastadora” contra Teerã na semana passada, mas a moeda já sofre pressão devido ao bloqueio da Marinha americana aos principais portos iranianos no Golfo Pérsico, que estrangulou suas exportações de petróleo.
Na semana passada, o presidente do Banco Central do Irã, Abdolnaser Hemmati, admitiu que as vendas de petróleo bruto do país haviam “praticamente parado”. Os Emirados Árabes Unidos, um dos principais parceiros comerciais de Teerã, anunciaram na semana passada a suspensão de todas as transações financeiras com o Irã até segunda ordem.
Nesta segunda-feira, no entanto, Hemmati minimizou a desvalorização do rial. As altas das moedas estrangeiras “são temporárias, ou seja, flutuam”, declarou o presidente do Banco Central iraniano em um vídeo divulgado pela televisão estatal.
“Os choques (econômicos) que estão ocorrendo se devem principalmente à propaganda política dos Estados Unidos”, acrescentou, antes de afirmar que “a situação vai melhorar e os problemas serão resolvidos”.
Oficialmente, Teerã aplica taxas de câmbio fixas, mas as cotações registradas por plataformas online costumam ser utilizadas como referência para o mercado não oficial. Pouco antes da guerra no Oriente Médio, desencadeada por uma ofensiva israelense-americana contra Teerã em 28 de fevereiro, um dólar era negociado por 1,65 milhão de riais. (No final de 2025, uma depreciação histórica do rial foi o gatilho para o início de um enorme movimento popular que, conforme evoluiu, passou a exigir a queda dos aiatolás e tornou-se o maior desafio ao regime desde a revolução islâmica de 1979. )
Antes de detalhar a “guerra econômica” do governo Trump, o secretário Scott Bessent escreveu em um artigo para o jornal Financial Times que será “a maior ofensiva financeira já mobilizada contra um adversário”, com objetivo de “cortar todas as linhas de vida econômicas que sustentam o regime tirânico” da república islâmica.







