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Missão da ONU investigará denúncias na Costa do Marfim

País mergulhou em uma grave crise depois que Gbagbo recusou-se a renunciar

Por Da Redação - 2 jan 2011, 10h49

A missão de paz das Nações Unidas na Costa do Marfim foi instruída a visitar e registrar quaisquer denúncias de abuso aos direitos humanos que tenham ocorrido no país, informou a ONU neste domingo. O país mergulhou em uma grave crise depois que o presidente Laurent Gbagbo recusou-se a deixar o cargo. As eleições realizadas em novembro provocaram uma onda de violência em todo o país, ainda dividido após a guerra civil em 2002 e 2003.

A comissão eleitoral, composta por líderes globais e pela Assembleia Geral da ONU, reconheceu a vitória do rival deGbagbo, Alassane Quattara. “A Secretaria-Geral disse que o presidente Quattara foi alertado por denúncias de chocantes violações aos direitos humanos”, disse o porta-voz Martin Nesirky em comunicado, referindo-se a uma conversa por telefone do chefe da ONU Ban Ki-moon e Quattara no sábado.

Conhecida como Unoci, a missão denunciou no mês passado que forças pró-Gbagbo estão bloqueando o acesso a áreas próximas a Abidjan, onde podem estar sepultadas vítimas da violência. “Ele (Ban) disse que a Unoci foi instruída a fazer todo o possível para conseguir acesso às áreas afetadas tanto para prevenir como investigar e registrar a violência para que os responsáveis sejam controlados”, disse Nesirky.

UA – O primeiro-ministro do Quênia, Raila Odinga, partiu neste domingo para Abuja (Nigéria), de onde viajará para Abidjan (Costa do Marfim) como enviado da União Africana (UA). Seu objetivo é tentar solucionar o atual conflito marfinense, informou a imprensa queniana.

Em declarações aos jornalistas no aeroporto de Nairóbi, Odinga afirmou que fará o possível para conseguir uma solução pacífica para a crise pós-eleitoral que ameaça o reatamento da guerra civil na Costa do Marfim, segundo a emissora queniana Capital FM em seu site.

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“Levo uma mensagem de paz para o povo da Costa do Marfim”, disse Odinga, cujo escritório informou que antes de viajar para Abidjan ele se reunirá em Abuja com o presidente da Nigéria e titular de turno da Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental (Cedeao), Goodluck Jonathan.

Na segunda-feira, Odinga terá um encontro com o trio de presidentes da Cedeao que viajará pela segunda vez a Abidjan para tentar convencer Laurent Gbagbo a ceder pacificamente o poder a Alassane Quattara, reconhecido como presidente da Costa do Marfim pela comunidade internacional após o segundo turno do pleito, em 28 de novembro.

A UA manifestou reiteradamente seu total apoio à Cedeao, que advertiu a Gbagbo que, se ele não deixar o poder, usará a “força legítima” para garantir que Quattara assuma a Presidência. Na sexta-feira, Quattara deu prazo um a Laurent Gbagbo até a meia-noite para deixar o poder, prometendo que “não haverá contrariedades” se ele se retirar no prazo, disse seu primeiro-ministro, Guillaume Soro.

Eleições – Os resultados provisórios da eleição do dia 28 de novembro mostraram a vitória do oposicionista Alassane Quattara por oito pontos percentuais. Mas o principal tribunal do país, comandado por um aliado de Gbagbo, reverteu o resultado sob alegação de fraude.

Os Estados Unidos e a União Europeia impuseram uma proibição de viagem a Gbagbo e às pessoas próximas a ele, enquanto o Banco Mundial e o banco central da África Ocidental congelaram suas finanças numa tentativa de reduzir sua força no poder.

(Com agência Reuters)

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