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Ministro romeno compara sacrifício de porcos com Auschwitz

Petre Daea diz que "o único método" para acabar com a peste suína é 'fazer um trabalho extraordinário', como o do campo de concentração nazista

O ministro de Agricultura da Romênia, Petre Daea, causou uma onda de indignação em seu país ao comparar o sacrifício de porcos durante surto de peste suína com o extermínio de pessoas no campo nazista de Auschwitz, durante a Segunda Guerra Mundial.

“O único método é o sacrifício. Os porcos serão incinerados com a presença das autoridades ambientais e veterinárias. É um trabalho extraordinário, lá é como em Auschwitz”, disse Daea na noite de ontem (25) à emissora de televisão romena Antena 3.

O ministro fez essas declarações ao comentar as medidas excepcionais tomadas pelo governo para isolar um foco de peste suína africana em uma fazenda comercial de Tulcea, no sudeste do país, onde quase 45.000 animais devem ser sacrificados.

A comparação da situação com o assassinato de mais de 1 milhão de pessoas — em sua grande maioria, judeus — no maior campo de extermínio do nazismo, localizado na Polônia, gerou uma onda de protestos e de indignação em toda a Romênia. Como agravante, Daea compara as vítimas de Auschwitz aos da fazenda de Tulcea sem considerar que, na tradição judaica, os suínos são animais impuros.

As duas maiores forças da oposição parlamentar, o Partido Nacional Liberal (PNL) e a União Salve a Romênia (USR), assim como o Movimento da Romênia Unida (MRI, na sigla em romeno), pediram a renúncia imediata do ministro.

“É incrível que um representante do governo possa ser tão irresponsável”, afirmou a USR, após qualificar a declaração do ministro de “inaceitável”. Para o PNL, que pediu a destituição de Daea em carta aberta enviada ao governo nesta manhã, a declaração é “sinistra e revela uma falta grave de empatia e decência”.

“Trata-se de uma declaração infeliz e incompreensível, e esperamos que o ministro entenda a gravidade de suas afirmações”, escreveu a Federação das Comunidades Judaicas da Romênia, em mensagem divulgada no Facebook.

O governo de Israel, por intermédio de sua embaixada em Bucareste, também manifestou sua “consternação” e “decepção” com as declarações de Daea. “Esperamos, no entanto, que tal associação feita pelo ministro seja devido à falta de informação detalhada sobre o que significa o Holocausto e Auschwitz, sem a intenção de ofender a memória de milhões de vítimas”, disse a embaixada israelense em comunicado.

Devido à repercussão, Daea reagiu à avalanche de críticas com um pedido desculpas. “Declaro o meu respeito a todos os membros da comunidade judaica e assumo que quis apresentar a difícil situação que os criadores de porcos enfrentam devido à peste suína africana”, disse o ministro à imprensa em Bucareste, informou a agência de notícias romena Agerpres. “Só quis descrever os terríveis momentos que enfrentam muitos de nossos criadores de porcos e também os que administram essa crise.”

A Romênia está em estado de alerta depois que diferentes focos de peste suína africana (PPA) se propagaram nos últimos meses em seu território.

(Com EFE)