Ministro iraniano diz que diálogo começará em setembro

Ele também pede que Turquia e Brasil estejam presentes nas negociações

Por Da Redação - 15 jul 2010, 18h54

O ministro de Exteriores iraniano, Manoucher Mottaki, afirmou nesta quinta-feira que as negociações entre o Irã e as potências ocidentais sobre um plano de fornecimento de material nuclear para o reator de Teerã devem começar no fim de setembro. A declaração foi feita à agência de notícias Bloomberg, citada pelo jornal israelense Ha’aretz.

Mottaki também pediu que a Turquia e o Brasil estejam presentes nas negociações, apesar das declarações de ambos os países de que diminuiriam seu envolvimento no assunto. “A Turquia e o Brasil ainda adotam a mesma postura e são bem-vindos nas negociações”, disse o ministro em um comunicado da chancelaria israelense. Para ele, os países deveriam estar presentes na discussão para “garantir que as negociações sejam realizadas da maneira devida”.

Na segunda-feira, o chanceler turco, Ahmet Davutoglu, conversou com a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton. Segundo autoridades americanas, Davutolgu concordou com Hillary que a questão do programa nuclear iraniano deve ser tratada pelo Conselho de Segurança da ONU e pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

O chanceler brasileiro, Celso Amorim, por sua vez, disse no mês passado que a luta do país pela defesa do programa nuclear iraniano pode encontrar barreiras nas sanções impostas pelo Conselho. “Nós ajudaremos sempre que pudermos, mas é claro que há um limite de até onde nós podemos ir”, disse.

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Em junho, o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, falou que o país não dialogaria com o Ocidente sobre o programa nuclear até o fim de agosto para punir as potências após a nova rodada de sanções imposta pela ONU. Ele ainda afirmou que esses países que querem negociar precisam se posicionar oficialmente contra o suposto arsenal nuclear de Israel.

Acordo – Brasil e Turquia, que insistiram nas negociações com o Irã, mediaram em 17 de maio um acordo em que a República Islâmica deveria trocar urânio enriquecido a 3,5% por combustível enriquecido em até 20%, próprio para uso civil. Contudo, o pacto foi considerado insuficiente pelas potências ocidentais, que acusam Teerã de usar o programa nuclear para desenvolver armas atômicas. O governo iraniano nega.

Um dia depois da assinatura do acordo, os Estados Unidos apresentaram um esboço do projeto com a quarta rodada de sanções ao Irã. A medida foi aprovada pelo Conselho de Segurança da ONU, em 9 de junho. Brasil e Turquia, membros não permanentes da entidade, votaram contra.

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