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Ministro de Economia argentino prevê crescimento de 5,2% em 2019

Nicolás Dujovne avisou que o ritmo de redução do déficit fiscal não será relaxado por causa dos 57,1 bilhões de dólares de ajuda do FMI

Por Denise Chrispim Marin - Atualizado em 27 set 2018, 22h07 - Publicado em 27 set 2018, 16h04

Um dia depois de ampliar a ajuda financeira do Fundo Monetário Internacional (FMI) para 57,1 bilhões de dólares, o ministro da Economia da Argentina, Nicolás Dujovne, estimou crescimento de 5,2% para o país em 2019. Ele afirma que a Argentina não apenas sairá rapidamente da recessão, como terá condições agora para fazer as reformas necessárias para estabilizar a economia e atrair investimentos.

Com expectativa altamente positiva, Dujovne prevê o início da recuperação da economia argentina para o primeiro trimestre de 2019. “No quarto trimestre de 2019 calculamos um crescimento interanual de 5,2%”, afirmou hoje (27), em Nova York.

“Acho que não há nada mais expansivo para a economia argentina do que baixar a volatilidade, aumentar a confiança, reabrir o mercado de crédito para o governo, as empresas, os governos, para que volte a financiar a Argentina. Restabelecer a confiança, reduzir a taxa de juros, é hoje a chave para voltar a crescer.”

A reação dos mercados à ampliação do programa do FMI com a Argentina ainda se mostra ligeiramente nervosa. Até o final da manhã, o dólar era cotado a 40,63 pesos — acima dos 39,44 pesos registrados no fechamento da jornada de ontem. Os negócios na Bolsa de Valores Buenos Aires estavam em expansão e a taxa de risco país, medida pelo banco JPMorgan caia a 600 pontos básicos.

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Segundo Dujovne, o governo argentino havia pedido a aceleração dos desembolsos do programa de 50 bilhões. Mas o próprio Fundo optou pela provisão de mais recursos. “Estamos realmente muito satisfeitos com o programa que alcançamos”, afirmou.

O pacote com o FMI envolveu mudanças nas políticas monetária e cambial da Argentina e precipitou a saída de Luis Caputo da presidência do Banco Central (BCRA), substituído imediatamente por Guido Sandleris. Com a interferência do Fundo no BC argentino, o país abandonou o regime de metas inflacionárias e passou a adotar controles sobre a expansão da base monetária, a quantidade de dinheiro em circulação na economia mais os depósitos compulsórios dos bancos.

Na área cambial, foi definida uma política na qual não haverá intervenções do BCRA, quando o dólar variar entre 34 pesos e 44 pesos. Se superar esse teto, o Banco Central atuará com a venda de até 150 milhões de dólares ao dia.

A banda de não-intervenção será reajustada mensalmente em 3% até, pelo menos, o final deste ano. Do ponto de vista da nova autoridade monetária argentina, essa receita poderá conter a disparada da inflação e evitar uma apreciação cambial indesejável.

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Segundo o economista Orlando Ferrerez, da consultoria OFA, o FMI antecipou para este ano os desembolsos previstos para 2019 e, com isso, permitiu à Argentina receber mais 19 bilhões de dólares ainda neste ano. “Este volume sobrepassa as necessidades de financiamento do país e, com isso, o governo argentino não terá de recorrer aos bancos, que cobrariam taxas de juros muito mais altas”, explicou a VEJA.

Ferrerez atribui a atual crise argentina a fatores externos sobre os quais o país não teve ingerência: a quebra de safra por causa da seca, o aumento do preço internacional do barril de petróleo e a elevação das taxas de juros, em especial nos Estados Unidos e na Europa. Mas ele não isenta o governo de Maurício Macri de erros na gestão da macroeconomia.

“Macri deveria ter reduzido fortemente o gasto público logo no início de seu governo”, criticou.

Em Nova York, Dujovne afirmou que não haverá diminuição no ritmo de redução do déficit fiscal argentino em função dos desembolsos do FMI. O programa de ajuda financeira, afirmou ele, “nos dá uma potência financeira enorme, que tem que produzir uma queda muito significativa das taxas de juros enfrentadas na Argentina. A taxa básica de juros atual no país é de 60%.

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“Mas não estamos procurando mais financiamento para relaxar o programa fiscal. Estamos utilizando todas as ferramentas disponíveis — como uma melhoria na política fiscal e um aumento do financiamento — para derrubar o risco soberano argentino e criar espaço para o financiamento do setor privado”, acrescentou.

Segundo o ministro, o programa financeiro acordado com o Fundo em junho, de 50 bilhões de dólares, não levava em conta os ataques especulativos sobre também por outras economias emergentes, como o a Turquia e o Brasil. Tampouco levou em conta o impacto do Escândalo dos Cadernos, a investigação de um amplo esquema de corrupção montado durante o governo de Cristina Kirchner.

“Não vamos minimizá-la, porque países que passaram por crises similares tiveram recessões e duradouras. A incerteza trazida de herança da corrupção do governo anterior foi muito prejudicial para as expectativas de curto prazo, embora seja um evento que nos ajude a construir uma Argentina mais saudável. Então, o que fizemos foi nos adaptar à mudança das circunstâncias”, afirmou Dujovne.

(Com AFP)

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