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Ministro alemão renuncia após vazar dados de investigação criminal

Hans-Peter Friedrich informou liderança social-democrata sobre inquérito contra deputado por suposta posse de pornografia infantil

Por Da Redação 14 fev 2014, 16h21

O ministro da Agricultura da Alemanha, Hans-Peter Friedrich, apresentou sua renúncia nesta sexta-feira após reconhecer que vazou informações sobre uma investigação criminal que apura o envolvimento de um deputado social-democrata com pornografia infantil.

O caso ocorreu no ano passado, quando Friedrich era titular do ministério do Interior, pasta responsável pela segurança pública. Os dados foram repassados para o presidente do partido Social-Democrata (SPD), Sigmar Gabriel, hoje vice-chanceler e ministro da Economia, que compartilhou a informação com outras lideranças, entre elas Frank-Walter Steinmeier, atual ministro das Relações Exteriores.

A renúncia de Friedrich vem à tona menos de dois meses depois de a chanceler Angela Merkel ter assumido para uma terceira legislatura, liderando uma grande coalizão entre seu partido, a União Democrata-Cristã (CDU); a União Social-Cristã (CSU) da Baviera, sigla de Friedrich; e o SPD.

Friedrich reconheceu ter passado os dados, que envolvem o agora ex-deputado Sebastian Edathy, mas “de boa fé”, segundo o porta-voz do ministério, convencido de que estava atuando corretamente “tanto do ponto de vista político como legal” e com a intenção de ganhar “confiança” do futuro parceiro de Governo” – à época o SPD ainda negociava sua entrada no governo.

Friedrich falou por telefone esta manhã com Merkel. A chanceler disse que “lamentava” ter que aceitar a renúncia do seu ministro.

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Pornografia – O escândalo começou a se delinear na semana passada, quando Edathy, um destacado deputado especializado em questões de Interior, renunciou inesperadamente ao mandato de deputado, alegando motivos de saúde. Na terça-feira a polícia revistou sua casa e seus escritórios, o que fez com que a imprensa tomasse conhecimento da investigação. O nome de Sebastian Edathy havia aparecido pela primeira vez em um inquérito sobre pornografia infantil iniciada no Canadá no ano passado.

Segundo a imprensa alemã, os policiais só encontraram na casa e no escritório computadores e discos rígidos inutilizados, algo que gerou uma suspeita de que o ex-deputado sabia que seria alvo de buscas. “Isso está cheirando muito mal. Ele se preveniu exemplarmente para as buscas”, disse um policial ao tabloide Bild.

O que até então era “caso Edathy” se transformou poucas horas depois no “caso Friedrich”, depois que o SPD resolveu se antecipar e tornou público que em outubro o então ministro do Interior havia vazado os dados.

Em entrevista coletiva, Jörg Fröhlich, da promotoria de Hannover, disse estar “perplexo” com o vazamento dos dados. Desconhecendo que a informação já circulava nas esferas políticas, a promotoria havia começado a investigar as acusações contra Edathy de maneira discreta, dada a gravidade do assunto.

Segundo Fröhilch, é preciso comprovar se o dirigente social-democrata cometeu um delito ao comprar entre 2005 e 2010 31 vídeos e fotografias de crianças nuas com idades entre 9 e 13 anos e se elas constituem mesmo pornografia infantil. Os primeiros foram recebidos pelo correio e os últimos foram baixados da internet em um computador instalado, segundo a promotoria, no próprio Bundestag, a Câmara alemã. Em comunicados publicados no Facebook, o ex-deputado negou ter comprado ou baixado qualquer material ilegal.

(Com agência EFE)

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