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Ministério da Justiça egípcio autoriza militares a prenderem civis

Cairo, 13 jun (EFE).- O Ministério de Justiça do Egito emitiu nesta quarta-feira um decreto que autoriza a Polícia Militar e os Serviços de Inteligência do Exército a prender civis por determinados crimes de direito comum.

A medida, que estará em vigor a partir desta quinta-feira e até que se redija e aplique a nova Constituição, provocou críticas dos movimentos pró-direitos humanos, já que, em sua opinião, questiona o compromisso dos militares de abandonar o poder no próximo dia 30 de junho e cedê-lo a um civil eleito nas urnas.

Em comunicado, 16 grupos egípcios pró-direitos humanos mostraram sua surpresa e sua oposição ao decreto, publicado hoje no Diário Oficial do Estado e assinado pelo ministro da Justiça, Adel Abdel Hamid.

Na opinião destas organizações, a norma abrirá a porta à ‘repressão das formas legítimas de mobilização política e social’, inclusive as manifestações e greves, já que entre os delitos contemplados estão os danos à segurança do estado, a desobediência civil e a difamação às autoridades.

A agência oficial de notícias local ‘Mena’ informou que o objetivo da medida é preservar a segurança por parte das Forças Armadas com a colaboração da polícia.

O Egito atravessa um momento crucial em seu período de transição política, marcado pela próxima eleição de seu novo presidente e a redação da futura Carta Magna.

No próximo fim de semana, os egípcios estão convocados de novo às urnas para escolher seu primeiro líder civil em mais de meio século, posto ao qual concorrem o islamita Mohammed Mursi, membro da Irmandade Muçulmana, e Ahmed Shafiq, último primeiro-ministro do ex-presidente deposto Hosni Mubarak. EFE