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Milicianos pró-Rússia agora invadem aeroportos na Crimeia

Ministro acusa russos de 'invasão militar' no sul da Ucrânia; Marinha russa nega. Ação ocorre após tomada de prédios do governo por grupo semelhante

Por Da Redação 28 fev 2014, 01h13

Atualizado às 7h03

A Crimeia, república autônoma que faz parte da Ucrânia, se tornou definitivamente o principal palco de disputa em um país dividido entre setores favoráveis a uma aproximação com a União Europeia e defensores da manutenção da histórica influência russa. Após milícias armadas pró-Rússia tomarem nesta quinta-feira as sedes do Parlamento e do governo regional e os parlamentares locais anunciarem uma consulta popular sobre a independência da região localizada no sul da Ucrânia, cerca de 50 homens armados invadiram na madrugada desta sexta-feira o Aeroporto de Simferopol, a capital crimeana.

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Horas depois, outro aeroporto foi tomado em Sevastopol, cidade às margens do Mar Negro, onde a Rússia possui uma grande base naval. O ministro do Interior ucraniano, Arsen Avakov, acusou os soldados russos de estarem por trás do que chamou de “uma invasão e ocupação militar”. “É uma violação de todos os acordos e normas internacionais”, escreveu Avakov em sua página no Facebook.

Um porta-voz da frota russa no Mar Negro, porém, negou qualquer participação de suas tropas no bloqueio dos aeroportos. A declaração foi repercutida no Twitter pela rádio Voz da Rússia, que também rechaçou a acusação do envolvimento de soldados do país nas ações na Crimeia.

Em Simferopol, a capital regional, testemunhas disseram à agência de notícias russa Interfax que o grupo que sitiou o aeroporto usava as mesmas vestimentas – uniformes militares sem identificação – dos milicianos mascarados que invadiram os prédios do governo e hastearam a bandeira russa na manhã de quinta. Um homem que participou da ação se identificou como “voluntário” à agência Reuters. “Estou com a Milícia do Povo da Crimeia. Somos gente simples, voluntários”, declarou.

Denominado também “esquadrão de autodefesa” da etnia russa, que constitui 60% da população da Crimeia, o grupo reage à deposição no final de semana passado do presidente Viktor Yanukovich, aliado de Moscou, e à formação de um governo interino que defende maior aproximação com a União Europeia.

Segundo relatos de passageiros que esperavam o momento de embarcar, alguns homens que invadiram o Aeroporto de Simferopol usavam emblemas da Marinha russa e renderam o terminal de voos domésticos. A tomada do aeroporto não durou muito tempo. O acesso dos passageiros ao check-in foi reaberto, mas homens armados permaneceram no perímetro do aeroporto, onde um cartaz exibia a mensagem “Crimeia é Rússia”.

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Os eventos na região no sul da Ucrânia expõem a crescente ameaça de separatismo decorrente das tensões envolvendo o novo governo ucraniano e a Rússia. Nesta semana, as Forças Armadas russas deslocaram aviões e tropas para patrulhar a fronteira com a Ucrânia – um alegado exercício militar de rotina que representa uma demonstração de força por parte do presidente Vladimir Putin. A Rússia, foi confirmado nesta quinta, também garantiu abrigo ao ex-presidente ucraniano Viktor Yanukovich, foragido após ser acusado de ordenar o assassinato em massa de cidadãos nos violentos protestos da semana passada, nos quais 82 pessoas morreram segundo o balanço oficial.

A Crimeia pertencia ao território russo até 1954, quando o presidente soviético Nikita Khrushchev transferiu a jurisdição do território para a Ucrânia. Em meio ao aumento da tensão na república autônoma, o presidente interino ucraniano, Oleksander Turchinov, declarou que a região “foi e continuará a ser parte da Ucrânia”.

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(Com Estadão Conteúdo)

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