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Milícia Shabiha faz ‘trabalho sujo’ para regime de Assad

Grupo tem dezenas de milhares de integrantes e é responsável pela repressão a civis nas grandes cidades, dizem especialistas

O Exército do ditador Bashar Assad não atua sozinho na repressão aos protestos na Síria. Segundo a rede americana CNN, o regime conta com uma espécie de “tropa de choque”, que seria formada por membros da milícia Shabiha. “O regime usa esta milícia para fazer o verdadeiro trabalho sujo, como execuções e repressão truculenta, especialmente em áreas urbanas onde há resistência dos civis”, afirma Jeff White, do Instituto de Políticas para o Oriente Médio em Washington.

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Entenda o caso

  1. • Na onda da Primavera Árabe, que teve início na Tunísia, sírios saíram às ruas em 15 de março de 2011 para protestar contra o regime de Bashar Assad.
  2. • Desde então, os rebeldes sofrem violenta repressão pelas forças de segurança, que já mataram milhares de pessoas no país.
  3. • A ONU alerta que a situação humanitária é crítica e investiga denúncias de crimes contra a humanidade por parte do regime.

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Provável responsável pelos dois últimos massacres em Houla e Al-Koubeir, além de outros episódios, a milícia tem dezenas de milhares de integrantes no país. Seu nome, segundo analistas, tem origem na palavra “fantasma”, em árabe.

História – A Shabiha surgiu na década de 1970 como o braço “gângster” da seita alauíta, oriunda da região costeira do país e à qual pertence a família Assad.

O escritor sírio Yassin Haj Shalih afirma que o nome Shahiba se refere a aqueles que trabalham “fora da lei e vivem nas sombras”. Com o início da revolta popular em 2011, os milicianos foram convocados como combatentes do regime, e seu nome passou também a ser sinônimo de “bandido”.

A alcunha é adequada, diz Michael Weiss, um especialista em Síria do grupo de direitos humanos britânico Henry Jackson Society. “Eles costumavam traficar armas e drogas, e hoje estão sendo usados como açougueiros”, diz.

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Gangue – Weiss afirma ainda que, apesar de o governo sírio atribuir a truculência às forças da oposição, a Shabiha é, na verdade, “a gangue armada” que apavora a população. Segundo o especialista, os homens da milícia estão frequentemente vestidos com roupas camufladas – como as do Exército – e circulam em tanques de guerra ou caminhonetes brancas exibindo armas. “A maioria é de fortões com cabeças raspadas e barbas longas”.

Além da brutal repressão aos revoltosos, de acordo com Weiss, as principais funções da milícia – que ele também considera a versão clandestina das forças de segurança sírias – é espionar a oposição e manter armas longe da resistência, comprando tantas quanto possível no mercado negro. A Shabiha também saqueia propriedades, comete estupros e execuções sumárias. “O massacre de Hula trouxe ao conhecimento global o que eles têm feito”, diz o especialista.