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Milhares se reúnem em funeral de crianças mortas em ataque a escola no Irã

Ao menos 175 crianças e professoras morreram em bombardeio atribuído pelas autoridades iranianas a EUA e Israel

Por Sara Salbert Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 3 mar 2026, 16h44 | Atualizado em 3 mar 2026, 17h10
Milhares se reúnem em funeral de crianças mortas em ataque a escola no Irã Priorize VEJA no Google

Milhares de pessoas se reuniram na cidade de Minab, no sul do Irã, nesta terça-feira, 3, para acompanhar o funeral coletivo de dezenas de crianças e professoras mortas em um ataque contra uma escola infantil para meninas, que matou ao menos 175 pessoas, de acordo com o The New York Times, no último sábado. Autoridades iranianas afirmam que o ataque fez parte de uma ofensiva aérea conjunta dos Estados Unidos e de Israel contra a nação persa, mas o Exército israelense nega a acusação.

A multidão reunida ao redor de pequenos caixões cobertos com a bandeira do Irã gritava frases contra os EUA e Israel, além de realizar orações e prestar homenagens às vítimas.

Uma mulher, que se identificou como mãe de “Atena”, ergueu retratos das vítimas em meio à multidão, chamando as fotos de “um documento de crimes americanos”. “Eles morreram no caminho de Deus”, acrescentou ela.

O ataque à escola infantil foi condenado pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco) e pela vencedora do Prêmio Nobel da Paz e defensora da educação feminina, Malala Yousafzai.

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Conflito no Oriente Médio

O ataque à escola ocorreu no último sábado, em meio à ofensiva dos EUA e Israel contra o território iraniano. Em resposta, Teerã lançou centenas de mísseis e drones contra Israel e países árabes do Golfo, danificando bases americanas, aeroportos e infraestruturas essenciais ligadas ao setor petrolífero, representando um sério desafio para o sistema de defesa aérea do Oriente Médio.

O Crescente Vermelho, que faz parte do Movimento Internacional da Cruz Vermelha, divulgou na terça-feira um balanço apontando que 787 pessoas morreram no Irã desde o início do conflito, e que mais de mil bombardeios foram lançados contra 153 cidades iranianas. Em paralelo, Israel registrou pelo menos 10 mortos, enquanto os ataques retaliatórios iranianos mataram cinco pessoas em países do Golfo. Além disso, os Estados Unidos perderam quatro soldados na operação de sábado.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, disse na segunda-feira que EUA e Israel “continuam a atacar indiscriminadamente áreas residenciais, não poupando hospitais, escolas, instalações do Crescente Vermelho ou monumentos culturais”.

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Acusações contra EUA e Israel

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, acusou na segunda-feira os EUA e Israel de matar as alunas no ataque.

“Estas são sepulturas sendo cavadas para mais de 160 meninas inocentes que foram mortas no bombardeio EUA-Israel contra uma escola primária. Seus corpos foram dilacerados em pedaços”, escreveu Araghchi em um post no X, acompanhado de uma imagem de túmulos. “É assim que o ‘resgate’ prometido por Trump se parece na realidade. De Gaza a Minab, inocentes assassinados a sangue frio.”

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Na terça-feira, o alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, solicitou uma investigação “rápida, imparcial e minuciosa” sobre as circunstâncias do bombardeio.

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O escritório de direitos humanos das Nações Unidas, por sua vez, afirmou que ainda não tem informações suficientes para determinar se o bombardeio pode ser considerado crime de guerra.

Em meio às acusações, o Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, disse que “os Estados Unidos não teriam como alvo deliberadamente uma escola”.

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