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Milhares devem ir às ruas da Venezuela em protestos contra Maduro

Presidente da Assembleia Nacional, Juan Guaidó quer liderar um governo transitório; ele é apoiado pelo vice-presidente dos EUA, Mike Pence

Milhares de venezuelanos devem participar de protestos nesta quarta-feira 23 em uma mobilização para pedir a retirada de Nicolás Maduro do poder. Os atos acontecem no aniversário de 61 anos do fim da ditadura de Pérez Jiménez no país, em 1958.

O presidente da Assembleia NacionalJuan Guaidó, é o principal organizador das manifestações, que chamou de “um encontro histórico com o povo.” Nesta terça 22, o vice-presidente dos Estados Unidos, Mike Pence, também indicou seu apoio aos oposicionistas.

Em um artigo de opinião escrito para o Wall Street Journal, Pence disse que os “Estados Unidos apoia fortemente a Assembleia Nacional e Guaidó”, e afirmou que que “Nicolás Maduro não tem direito legítimo ao poder e deve sair.” O político americano também enviou um vídeo de apoio aos opositores do venezuelano.

Em uma mensagem gravada em inglês, com algumas frases e palavras em espanhol, Pence declarou: “Em nome do presidente Donald Trump e de todo o povo americano, me deixem expressar o apoio inabalável dos Estados Unidos a medida que vocês, povo da Venezuela, levantam suas vozes pedindo por liberdade.”

Nas imagens, publicadas em sua conta na rede social Twitter, o vice-presidente ainda afirmou que Maduro “nunca ganhou a presidência em uma eleição livre e justa, e mantém seu poder prendendo qualquer um que faça oposição a ele.”

Reagindo a Pence, Maduro anunciou uma “revisão” das relações diplomáticas venezuelanas com os Estados Unidos, acusando Washington de tentar forçar um golpe. Na terça-feira 22, o ditador venezuelano afirmou que iria anunciar as mudanças de postura em algumas horas.

A vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodriguez, criticou a interferência de Pence e, segundo repórteres, exigiu que o “Yankee fosse embora”, durante coletiva de imprensa.

Os protestos da oposição pretendem apoiar uma administração de transição, liderada por Juan Guaidó, antes de novas eleições serem convocadas.

O Partido Socialista, de Maduro, anunciou uma marcha também para esta quarta 23, para tentar fazer contrapeso aos protestos da oposição. As mobilizações acontecem apenas dois dias depois de 27 soldados da Guarda Nacional terem sido presos por suposta revolta contra o governo em um posto da capital, Caracas.

Ao comentar a prisão dos soldados, na segunda-feira 21, Guaidó prometeu anistia a todos que se recusarem a servir o atual governo: “nós não estamos pedindo que vocês iniciem um golpe de estado, não estamos pedindo que atirem”, disse, “mas estamos pedindo que vocês não atirem em nós.”

Os protestos acompanham a posse de Maduro, no início deste mês. Ele foi conduzido ao segundo mandado em maio de 2018, em um processo eleitoral boicotado por opositores e questionado pela comunidade internacional.

Na semana passada, a Assembleia Nacional declarou que Maduro é um “usurpador” e decidiu incentivar o apoio a um possível governo de transição. Na segunda-feira 21, a Suprema Corte venezuelana, majoritariamente ocupada por magistrados favoráveis ao governo, rejeitou Guaidó como presidente da Assembleia, que não exerce poder de fato desde 2016, quando o Partido Socialista perdeu controle sobre a Casa.

A Suprema Corte também pediu que promotores investiguem possíveis crimes de Guaidó.