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Milhares de sírios tentam protestar enquanto oposição busca unidade

Por Da Redação - 13 jan 2012, 14h02

Javier Martín.

Damasco, 13 jan (EFE).- Milhares de pessoas tentaram sair às ruas nesta sexta-feira em diferentes lugares da Síria para manifestar seu apoio ao rebelde Exército Livre Sírio, poucas horas depois que esta milícia chegou a um acordo de colaboração com o principal grupo de oposição no exílio.

Desde a primeira hora da manhã, centenas de agentes dos serviços secretos e informantes tomaram as ruas de Damasco para tentar impedir qualquer tipo de protesto durante a oração comunitária das sextas-feiras.

No entanto, segundo testemunhos da oposição à Agência Efe, vários grupos conseguiram se reunir em subúrbios da capital, como Almaze e Duma, onde exigiram a renúncia do presidente do país, Bashar al Assad.

Os opositores informaram de concentrações similares em outras grandes urbes como Aleppo, Latakia, Homs e Hama, onde os combates entre as forças de segurança e rebeldes armados promoveram mais um derramamento de sangue.

De acordo com o Observatório Sírio de Direitos Humanos, grupo vinculado à oposição, pelo menos uma pessoa morreu nesta sexta-feira nas mãos de unidades do regime na localidade de Iblib, próxima à fronteira com a Turquia.

A violência, que se multiplicou em todo o país desde o início há duas semanas da criticada missão de observadores da Liga Árabe, custou também a vida de três membros do Exército nos arredores de Damasco, em mais um sinal que a oposição armada eleva dia a dia seu nível de audácia e sua capacidade operacional.

Segundo a agência de notícias oficial ‘Sana’, os três militares morreram em um ataque com armas de pequeno porte contra um centro de comunicações situado em uma área vizinha à capital.

A ação, similar ao ataque com bomba que há dois dias matou outros quatro militares em Damasco, causou também ferimentos em outros três soldados.

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A agência informou, igualmente, da morte de dois agentes do aparelho de segurança sírio na localidade setentrional de Homs, uma das mais conflituosas do país.

Em um dos bairros controlados pelo regime foi assassinado na quarta-feira, em um incidente muito confuso, o jornalista francês Gilles Jacquier, o primeiro repórter estrangeiro morto na Síria desde que explodiu a revolta em março de 2011.

A França, que não descarta a hipótese de uma armadilha embora admita que não tem provas, exigiu uma investigação imparcial, além daquela realizada pelo regime de Damasco.

As suspeitas sobre as ações do regime se multiplicaram desde que nesta semana vários observadores da Liga Árabe decidiram abandonar a missão, aparentemente por dúvidas morais.

A porta foi aberta pelo delegado argelino, Anwar al Maliki, que afirmou que temia que sua missão servisse mais para proteger o regime que para esclarecer a verdade.

Embora em seguida o polêmico chefe da delegação, o general sudanês Mustafa al Dabi, tenha tentado desacreditá-lo, parece que as dúvidas abalaram a organização regional.

A missão da Liga Árabe se reunirá no próximo dia 19 para avaliar os resultados de suas pesquisas no terreno, e já deu a entender que poderia remeter a questão ao Conselho de Segurança da ONU.

Na comunidade internacional, apenas a Rússia parece ainda defender a Síria, país com o qual mantém um intenso comércio.

Enquanto isso, a divida oposição síria deu hoje um novo passo em seu caminho para criar uma frente unida. Burhan Ghaliun, presidente do Conselho Nacional Sírio, se reuniu ontem à noite com o coronel Riad al Assad, chefe do Exército Livre Sírio.

De acordo com o Conselho, durante o encontro foram analisadas as vias para aumentar a capacidade organizativa, logística e operacional das forças no terreno e criado um escritório de coordenação entre os dois grupos. EFE

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