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Milhares de russos saem às ruas para protestar contra resultados eleitorais

Por Da Redação
24 dez 2011, 13h20

Vladimir Mkrtchan.

Moscou, 24 dez (EFE).- Dezenas de milhares de russos voltaram às ruas neste sábado em diversas cidades da Rússia para contestar os resultados das eleições parlamentares do último dia 4 e reivindicar novos pleitos legislativos, duas semanas após os grandes protestos do dia 10.

Moscou se transformou no maior palco das manifestações contra os resultados das eleições legislativas, que deram a vitória ao partido governista Rússia Unida.

Segundo os organizadores dos protestos, cerca de 120 mil pessoas aderiram à manifestação na avenida Acadêmico Sakharov de Moscou para exigir a realização de novas eleições parlamentares, a anulação dos resultados e a libertação dos presos políticos. Esses números divergem dos da Polícia, que estima a presença de 29 mil pessoas.

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Fontes da Polícia citadas pela agência de notícias ‘Interfax’ alegam que seus dados foram obtidos nos detectores de metais instalados no perímetro da área, sem contar os que ficaram de fora e não conseguiram passar pelas rampas para se juntar aos protestos na avenida.

Além disso, várias testemunhas confirmaram à Efe que a avenida mencionada, com o trânsito interditado e isolado pelas forças de segurança e furgões com a tropa de choque, não pôde acolher mais manifestantes, que saíram às ruas, apesar das baixas temperaturas.

Independentemente, todos concordam que o número de participantes desta manifestação já superou o da realizada no último dia 10, que até o momento foi considerada a maior do país desde a década de 1990.

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Os manifestantes focam suas iras no sistema político ‘autoritário, corrupto e estagnado’ criado por Vladimir Putin, ex-presidente e atual primeiro-ministro, ansioso para voltar ao Kremlin dentro de poucos meses.

Os manifestantes gritam ‘Fora Putin!’ e alguns levam cartazes com a inscrição: ‘Queremos nossos votos, e não suas esmolas’, referindo-se aos votos que consideram roubados durante a apuração das urnas.

Os protestos contam com a participação dos líderes da oposição, políticos, atores de destaque, escritores e artistas, que dizem se sentir cansados da hegemonia do Kremlin na Rússia.

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‘A Rússia está farta de revoluções. Que Deus nos livre. Mas também está farta de estancamentos’, gritou do palco o jornalista russo Leonid Parfyonov, que comparou Putin ao líder soviético Leonid Brezhnev, associado por muitos com o imobilismo numa União Soviética controlada pelo Partido Comunista e pela Polícia política.

Os protestos contra os resultados das eleições acontecem em cidades como São Petersburgo, Barnaul, Novosibirsk e Ufa. A comunidade russa em outros países também convocou pelo Facebook concentrações em Paris, Londres, Barcelona, Vancouver, Washington, Nova York e outras cidades.

Anteriormente, cerca de 50 mil usuários do Facebook confirmaram presença na manifestação antigovernamental de Moscou.

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Os recentes protestos obrigaram o presidente russo, Dmitri Medvedev, a propor na quinta-feira uma abertura política com importantes mudanças no sistema eleitoral.

Em particular, ele propôs resgatar as eleições diretas dos presidentes e governadores das regiões e repúblicas da Rússia, que em tempos de Putin passaram a ser nomeados pelo Kremlin, assim como permitir o registro livre de partidos políticos.

No entanto, o líder russo, que manifestou seu desacordo com as críticas dos manifestantes, não anunciou medidas concretas para satisfazer as exigências dos insatisfeitos e realizar novos pleitos legislativos.

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O partido do primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, conseguiu manter a maioria absoluta na Duma (câmara baixa do Parlamento) com 238 deputados, 12 a mais que o necessário (226), segundo os resultados oficiais definitivos das eleições.

Mesmo com a vitória, o partido do Kremlin perdeu 77 cadeiras em relação às eleições anteriores. Assim, a legenda não terá maioria qualificada suficiente para aprovar reformas constitucionais.

Putin, ex-membro da antiga KGB (serviço secreto soviético), concorrerá às eleições presidenciais do dia 4 março de 2012, beneficiado pela desistência do atual chefe de Estado, seu pupilo Dmitri Medvedev, de se apresentar à reeleição justamente para favorecer o padrinho político.

O primeiro-ministro russo, que já exerceu o cargo de presidente entre 2000 e 2008, caso chegue à chefia do Kremlin, poderia permanecer no poder por mais 12 anos, soma total de anos de dois mandatos presidenciais consecutivos, tal como permite a Constituição da Rússia. EFE

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