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Milhares de manifestantes apóiam em Bamaco medidas da Junta Militar

Por Da Redação
28 mar 2012, 12h03

Idrissa Daikité.

Bamaco, 28 mar (EFE).- Milhares de manifestantes apoiaram nesta quarta-feira em Bamaco a Junta Militar de Mali, que proclamou na terça-feira à noite uma nova ‘ata fundamental’, revogou o toque de recolher, abriu as fronteiras ao exterior e prometeu eleições, embora os militares continuem em posições estratégicas da capital.

‘Defenderemos nossa pátria, não vamos abandonar nossos libertadores’, gritavam os manifestantes em apoio ao Comitê Nacional para a Recuperação da Democracia e a Restauração do Estado (CNRDRE), liderado pelo capitão Amadou Haye Sanogo, que destituiu o presidente Amadou Toumami Touré em 22 de março.

As 15 mil pessoas cantaram slogans contra a denominada Frente para a Defesa da Democracia (FDD), criada logo após ocorrer o golpe contra da tomada do poder pelas armas e que reúne 38 partidos, entre eles as principais formações políticas locais.

A manifestação, que começou na Praça da Liberdade e concluiu na Avenida da Independência, foi convocada pelo Partido Solidariedade Africana pela Democracia e a Independência (SADI), liderado por Umar Mariko, fundador do Movimento Popular de 22 de março (MP22), criado no dia seguinte da destituição de Touré.

Os participantes, que faziam trajeto de dois quilômetros, levavam cartazes e bandeiras com inscrições favoráveis ao CNRDRE, presidido pelo capitão Sanogo.

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Os manifestantes cantaram slogans críticos à comunidade internacional, em particular a Comunidade Econômica da África do Oeste (Cedeao), composta por 15 estados-membros entre eles Mali.

Esta organização, que decidiu suspender Bamaco como membro, teve na terça-feira na Costa do Marfim uma cúpula reservada para examinar a situação em Mali e decidiu o envio nas próximas horas de uma delegação de chefes de estado a fim de exigir dos golpistas o retorno imediato da ordem constitucional.

A manifestação desta quarta-feira ocorre horas depois da promulgação ontem à noite da ‘Ata fundamental do Estado de Mali’, um texto que substitui a Constituição suspensa no mesmo dia do golpe.

Com 69 artigos, o documento que regerá o país pelo período da transição, mesmo sem precisar a duração, outorga condição de chefe de estado ao líder dos golpistas, o capitão Sanogo, e institui como ‘órgão supremo’ o CNRDRE.

Embora não precise a data da convocação das eleições prometidas pelos golpistas, que com seu levante impediram as fixadas para 29 de abril, o documento proíbe a participação em futuros processos eleitorais de membros da Junta Militar e do futuro Governo transitório.

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Na terça-feira à noite, a Junta Militar anunciou pela televisão e a rádio estatal ‘ORTM’ o levantamento do toque de recolher instaurado após o golpe militar, e reabriu o espaço aéreo e as fronteiras terrestres.

Apesar do fim das medidas de exceção, os militares golpistas, apoiados pelos agentes de fronteira e pelos policiais, patrulham as ruas e reforçaram sua presença em torno das instalações da rádio e da televisão estatal, assim como de bancos e postos de gasolina, como constatou a Agência Efe.

A justificativa para o golpe foi que Touré tinha se revelado incapaz de solucionar e conduzir a crise do norte do país. O culparam também por não ter dotado o Exército dos meios necessários para enfrentar a rebelião separatista tuaregue nem os grupos vinculados à Al Qaeda.

Desde meados de janeiro, os tuaregues do denominado Movimento Nacional para a libertação de Azawad (MNLA) mantêm uma guerra aberta com o Exército malinês, que sofreu dezenas de baixas e muitos soldados foram capturados pelos separatistas.

Ao mesmo tempo, os combates provocaram o deslocamento de 100 mil malienses, que buscaram refúgio nos países vizinhos como Argélia, Mauritânia, Níger e Burkina Fasso, enquanto outros 95 mil migraram para áreas mais tranquilas dentro de Mali, fugindo dos combates.

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O MNLA reivindica a independência do Azawad, uma ampla região de 850 mil quilômetros quadrados no norte de Mali que faz parte do deserto. EFE

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