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Milhares de egípcios vão às ruas para reivindicar transferência de poder

Por Da Redação - 31 jan 2012, 16h30

Cairo, 31 jan (EFE).- Milhares de pessoas foram às ruas do Cairo nesta terça-feira para protestar em frente ao Parlamento egípcio e reivindicar a transferência imediata do poder, atualmente mantido pela Junta Militar, que pretende entregá-lo a um presidente eleito antes do próximo 30 de junho.

Várias passeatas partiram de diversos pontos do centro do Cairo até confluir perto da Assembleia do Povo (câmara baixa do Parlamento), em cujos acessos foram colocadas barreiras e grades para afastar os manifestantes e evitar possíveis distúrbios.

Os atritos eram visíveis entre os revolucionários – que desde 25 de janeiro passado retomaram com força os protestos antigovernamentais, aproveitando o primeiro aniversário da revolução que derrubou o presidente Hosni Mubarak – e os seguidores do movimento conservador Irmandade Muçulmana, defensores do atual processo de transição.

Fontes de segurança disseram à Agência Efe que pelo menos 15 pessoas ficaram feridas em frente à sede do governo, perto do Parlamento, devido aos choques entre as duas partes.

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‘Queremos pressionar a Junta Militar e a Irmandade Muçulmana para que se lembrem das reivindicações da revolução, pois ela ainda não está completa’, declarou à Efe o ativista Toni Sabri, um jovem cristão que rejeitou com veemência o poder dos islamitas.

Políticos ligados a grupos muçulmanos controlam a câmara baixa do Parlamento, devido sobretudo à recente vitória eleitoral do Partido Liberdade e Justiça – formado por membros da Irmandade Muçulmana, que obteve quase metade das cadeiras parlamentares.

O grupo foi alvo de duras críticas nesta terça-feira durante os protestos. Jovens revolucionários cantavam lemas como ‘A Irmandade Muçulmana cairá’ e ‘Abaixo o marechal’, este último se referindo ao líder Hussein Tantawi, chefe da Junta Militar, no poder desde a renúncia de Mubarak, em 11 de fevereiro de 2011.

Na rua Sheikh Rihan, muito perto dos muros de contenção contra os protestos, uma multidão expressava em voz alta suas críticas contra os islamitas, o que resultou em cenas de tensão entre pessoas que discutiam acaloradamente.

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‘Eu não tenho nenhum problema com a Irmandade Muçulmana, mas não quero que impeçam nossa passagem. Assim como eles têm sua voz no Parlamento, nós queremos nos manifestar na rua’, expressou a egípcia Yasmine Aref.

Ela se disse favorável à antecipação das eleições presidenciais, previstas para antes de 30 de junho – embora a nova Constituição ainda não esteja redigida – para que os militares entreguem o poder o mais rápido possível a uma autoridade civil.

O Conselho Consultivo egípcio – que assessora a Junta Militar – propôs nesta terça-feira que as eleições presidenciais sejam realizadas em maio, mas os dirigentes militares ainda não se pronunciaram a respeito. EFE

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