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Milhares de egípcios celebram 1 ano da revolução na Praça Tahrir

(Atualiza com novas manifestações e enfrentamentos).

Cairo, 25 jan (EFE).- Milhares de egípcios estão reunidos na emblemática Praça Tahrir, no Cairo, para celebrar em clima de festa e ao mesmo tempo de reivindicação o primeiro aniversário da revolução que derrubou o ex-presidente Hosni Mubarak.

Como constatou a Agência Efe, há uma grande presença de seguidores islâmicos, muitos com bandeiras do Partido Liberdade e Justiça, braço político da Irmandade Muçulmana, além de inúmeras famílias que se dirigem à praça com crianças para aproveitar o feriado.

Um grande cartaz colocado em Tahrir sintetiza de forma precisa a sensação geral: ‘A revolução continuará até que se cumpram suas exigências’.

Algumas destas exigências são transmitidas em outros cartazes, com slogans como ‘Não à Constituição sob o Governo militar’, ou ‘Prisão para os ‘felul” (remanescentes do regime).

Hoda Kawsy, uma dona de casa de 53 anos, foi à Praça Tahrir com uma amiga, assim como fez há um ano, quando começavam os 18 dias de protestos que derrubaram Mubarak.

‘Viemos protestar para que a revolução continue. Até agora houve poucas mudanças porque a Junta Militar cometeu muitos erros, como o plebiscito de março (para aprovar várias emendas constitucionais)’, explicou à Efe.

A mulher reiterou que deseja que os militares ‘se desvinculem totalmente do poder político’.

Outra pessoa que se aproximou da Praça Tahrir foi o candidato presidencial Amre Moussa, para quem é preciso homenagear as vítimas da revolta, que ‘sacrificaram seus espíritos pelo êxito da Revolução’.

Moussa, que participou de uma passeata até a praça, destacou que ‘não é um dia para festejar, mas para lembrar aquele dia histórico’. ‘A revolução continua e não será vencida!’, gritou no meio de milhares de pessoas que cantavam ‘Viva Egito’.

Este candidato, que está entre os favoritos para se transformar no primeiro presidente democrático do país, defendeu que a Junta Militar deva entregar o poder antes de julho a um ‘poder eleito’ para que o país não se transforme em uma ditadura.

No centro da praça, onde cada vez é possível ver mais barracas instaladas, foi colocada uma enorme pira com hieróglifos egípcios e uma chama sobre a qual está escrito: ‘Revolução de 25 de Janeiro’.

Em um lado da praça, para aproveitar a corrente de solidariedade gerada, uma ambulância está coletando doações de sangue para os hospitais do Cairo.

O responsável pelas doações disse à Efe que em apenas duas horas cerca de 350 pessoas já participaram, e a equipe permanecerá no local até a madrugada.

Ao longo da manhã, a afluência na praça vai aumentando, e espera-se que nas próximas horas alcance seu ápice. Várias passeatas com milhares de cidadãos saíram de diferentes pontos do Cairo, como mesquitas, igrejas e universidades para chegar até Tahrir.

Apesar do caráter predominante pacífico das manifestações, houve tensão e brigas esporádicas entre jovens revolucionários do Movimento 6 de Abril e partidários da Junta Militar que se manifestavam no bairro de Abassiya.

Os pró-militares se concentravam a favor do Exército e da Polícia em Abassiya quando passou uma manifestação de jovens. No encontro, eles trocaram insultos que geraram enfrentamentos, informaram à Efe fontes de segurança. EFE