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Milhares de cubanos festejam a Virgem, em Cuba, pela primeira vez em 52 anos

Por Por Rigoberto Díaz 5 set 2011, 18h49

Pela primeira vez, em 52 anos de governo comunista, milhares de fiéis puderam participar de romarias em homenagem à Virgem da Caridade do Cobre, a santa padroeira de Cuba.

Uma peregrinação autorizada começou em agosto em Santiago de Cuba, 970 km a leste de Havana, e será concluída no dia 30 de dezembro na capital, depois do que a imagem regressará a seu santuário, no povoado de El Cobre.

Domingo, sob um sol intenso, com rezas e cânticos, milhares de pessoas receberam a santa na aldeia de Madruga, 65 km a leste de Havana.

Sua única peregrinação ocorreu em 1951-52, durante os festejos do cinquentenário da República, sob a liderança do arcebispo de Santiago de Cuba, Enrique Pérez Serantes – o mesmo que intercedeu para salvar Fidel Castro e outros rebeldes do frustrado ataque ao quartel Moncada (1953), primeira ação armada da revolução.

A imagem da Virgem mulata apareceu, segundo a lenda, pela primeira vez em 1612, para três pescadores, na baía de Nipe, na ilha.

Em Cuba, 15% dos 11,2 milhões de habitantes praticam uma religião definida; 15% se dizem ateus e os demais professam um marcado sincretismo religioso, um amálgama do cristianismo com cultos de origem africana.

Os cubanos identificam a Virgem da Caridade com Oxum, um orixá feminino do panteão ioruba.

Na procissão em Madruga, concluída com missa no parque principal da aldeia, algumas pessoas, como Carmen Rodríguez, usavam colares de contas brancas e amarelas, as cores de Oxum. “Isso é o melhor que podia nos acontecer, vivemos tempos de mudanças e a Virgem nos dará um impulso especial”, disse a mulher, de 62 anos.

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“Chegou o momento de nossa Arquidiocese de Havana preparar-se para receber a Virgem da Caridade. É um momento de alegria”, porque “nos traz saúde e esperança”, disse o cardeal Jaime Ortega ante os fiéis, reunidos na entrada da aldeia, comovido com a chegada da padroeira.

Ortega, também arcebispo de Havana, elogiou as “mudanças” empreendidas pelo governo Raúl Castro e o clima de diálogo que permitiu a romaria, pedindo aos cubanos que “abram seus corações” para receber “mensagem de paz, fraternidade e reconciliação”.

“Isto faz parte do novo ambiente de mudança que há em Cuba” e “que esperamos e pedimos à Virgem da Caridade que continuem”, acrescentou, referindo-se ao diálogo que começou em 2010 com o presidente Raúl Castro, e que teve como principal fruto a libertação de 130 presos políticos.

Em uma urna de cristal sobre a carroceria de um caminhão, escoltada por policiais em motos que acionavam buzinas, a Virgem entrou em Madruga, uma aldeia de camponeses, em meio à euforia dos fiéis, que se apresentavam com flores e cartazes, agitando pequenas flâmulas, entoando cânticos.

“É a mãe de todos os cubanos, que veio nos abençoar. Tenho muita coisa para pedir a ela”, declarou emocionada à AFP Maritsa Sánchez, uma cristã fervorosa de 59 anos, que se dedica a visitar e a levar alimentos aos enfermos, na paróquia de Madruga.

Para María Echizárraga, que vive numa aldeia vizinha, “foi uma boa oportunidade para pedir a Santa pelos jovens que ainda não puderam encontrar seu caminho” e, “principalmente, muita saúde e prosperidade” para Cuba.

As procissões, vetadas em Cuba nos anos 1960, foram restabelecidas durante a visita do Papa João Paulo II, em 1998, quando as difíceis relações entre o governo comunista de Fidel Castro e a hirarquia católica entraram numa fase de aproximação.

No pior momento da confrontação, mais de cem sacerdotes foram expulsos, tendo sido confiscados bens da Igreja, que ficou confinada em templos.

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