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Milhares de crianças atravessam a Europa sozinhas com onda de refugiados

Mais de 25% das crianças imigrantes que entraram na Sérvia, uma das principais portas de entrada de refugiados na Europa, viajavam sem seus pais

Entre os milhares de refugiados que chegaram à Sérvia de zonas de conflito no Oriente Médio e continuam a viagem pela Europa, mais de quatro mil crianças migraram sem seus pais, segundo diversas organizações que tentam os refugiados. “Entre 15.280 crianças que passaram por aqui, 4.114 viajavam sem seus pais”, disse à agência EFE o diretor do Centro de Proteção de Solicitantes de Asilo de Belgrado, Rados Djurovic.

Djurovic afirmou que todas estão em más condições de higiene e muito cansadas. Além disso, muitas sofrem com ferimentos adquiridos no longo caminho.

“Há cada vez mais bebês fragilizados, com resfriados, insolação, diarreia e outros problemas de saúde que podem se agravar muito com a chegada da chuva e do frio”, advertiu o especialista.

Com relação aos menores que viajam sem pais, trata-se, em sua maioria, de adolescentes de cerca de 15 anos de idade.

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“Em alguns casos, as crianças estão sozinhas porque se perderam dos pais no caminho. Também há grupos inteiros de adolescentes que partiram de suas aldeias para achar trabalho no Ocidente e enviar dinheiro para casa”, explicou.

Djurovic apontou também para a existência de redes de tráfico humano que, assim que os menores chegam à Alemanha ou outro país ocidental, os obrigam a mendigar, roubar ou os exploram de outras formas.

“Trata-se de um grupo muito vulnerável, alvo fácil de traficantes de pessoas. As crianças que tratamos não nos confessaram ser vítimas de traficantes, mas temos indícios de que em alguns casos são”, explicou.

Dragan Rolovic, diretor do Instituto da Juventude de Belgrado que mantém um centro de alojamento de estrangeiros menores de idade desacompanhados, teve recentemente a sorte de reunir três irmãos afegãos com seu pai.

“Após uma viagem de seis meses a partir do Afeganistão, esses três irmãos, de 8, 10 e 12 anos, perderam seus pais na fronteira entre a Sérvia e a Macedônia quando a polícia chegou ao local. Os refugiados fugiram e se dispersaram, e as crianças se perderam”, contou Rolovic.

A polícia encontrou as crianças, desesperadas e assustadas, e as levou ao instituto, que após uma intensa busca de dez dias conseguiu achar o pai e reunir a família.

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Os adolescentes que viajam em grupo, sem pais, costumam ter alguém que os espera no país de destino e estão bem informados sobre a rota que devem usar, explicou. Apesar disso, Rolovic disse que eles também são suscetíveis a cair nas redes de tráfico humano.

Um total de 106.172 refugiados, majoritariamente da Síria, Afeganistão e Iraque, foram registrados ao entrar na Sérvia neste ano (até 2 de setembro), segundo o escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) na Sérvia. “Estimamos que quase um mesmo número de imigrantes entrou também, mas sem passar pelo registro”, disse a porta-voz do escritório, Mirjana Milenkovic.

A presença de refugiados está aumentando de forma quase exponencial desde maio, quando as solicitações passaram de 200 imigrantes por dia para 3 mil, segundo dados do Acnur.

(Com EFE)