Group 21 Copy 4 Created with Sketch.

Milhares de argentinos protestam contra políticas de Cristina

'Panelaços' foram os maiores já enfrentados pelo governo, criticado pelas restrições à compra de dólares e rumores de um projeto de uma nova reeleição

Milhares de argentinos saíram às ruas na noite desta quinta-feira nas principais cidades do país para protestar contra o governo de Cristina Kirchner, nos maiores “panelaços” enfrentados até hoje pela presidente, fortemente criticada pela política de restrições à compra de dólares e rumores de um projeto do governo para dar uma nova reeleição à mandatária. Segundo o jornal Clarín, foram também os maiores protestos populares desde 2003.

Vídeo: As vítimas da política econômica de Cristina Kirchner

Convocados através de redes sociais e sem exibir símbolos de partidos políticos, os manifestantes se queixaram ainda da falta de liberdade econômica e da crescente insegurança urbana – nos últimos meses, aumentaram os assaltos à mão armada em Buenos Aires e na periferia da capital.

As televisões locais mostraram milhares de pessoas concentradas em cidades como Rosário, Córdoba, Mendoza, La Plata e Bariloche, além da capital Buenos Aires, onde a Praça de Maio, ponto emblemático de protestos situado em frente à Casa Rosada – a sede do governo – foi praticamente coberta pela multidão, que o jornal La Nación calculou em 200.000 pessoas. “Não à re-reeleição”, “Pela liberdade e defesa de nossa Constituição”, “Pela defesa das intituições” e “Não à Diktadura”, indicavam cartazes exibidos pelos manifestantes.

Dólar – Os limites à compra de dólares, implantados pelo governo de Cristina com o objetivo de segurar a moeda no país, também foram um dos alvos preferidos dos participantes dos “panelaços”. “É um atropelo contra a propriedade privada, eu posso fazer o que quero com meu dinheiro”, exigiu o manifestante Mario Blanco em Buenos Aires.

Aprovada em maio, a medida cambial deu início a um processo crescente de controle do governo kirchnerista sobre a vida dos cidadãos. Os argentinos não podem mais comprar dólares, por exemplo, para fazer poupança, um costume no país. A aquisição da moeda só é permitida para fazer viagens ao exterior. Mesmo assim, é preciso enviar um pedido à Administração Federal de Ingressos Públicos (Afip), a receita federal, no qual é necessário explicar detalhadamente datas e motivos da viagem, os lugares de escala e hospedagem.

Crescente insegurança urbana incomoda argentinos Crescente insegurança urbana incomoda argentinos

Crescente insegurança urbana incomoda argentinos (/)

Em julho, uma resolução da Afip passou a exigir das empresas de serviços públicos que identifiquem mensalmente os clientes que gastam mais de mil pesos (cerca de 215 dólares) em telefonia, energia elétrica, gás e água. A política econômica de Cristina também proibiu os argentinos de comprar dólares para aplicar nos Estados Unidos, tradição de mais de quatro décadas. Também proibiu operações imobiliárias na moeda americana (100% das compras eram realizadas em dólares).

Re-reeleição – A iniciativa de uma nova reeleição foi impulsionada pelo movimento de intelectuais kirchneristas Carta Aberta. Oficialmente, a presidente não disse nada a respeito e seus ministros e líderes parlamentares governistas também não se pronunciaram contra ou a favor, mas a revelação de que setores da base do governo se movimentam nesse sentido foi recebida com revolta por parte da população.

Cristina Kirchner assumiu o governo argentino pela primeira vez em 2007 e foi reeleita em outubro do ano passado com 54% dos votos, graças ao apoio de vastos setores da classe pobre, embora também tenha recebido muitos votos em centros urbanos em que predomina a classe média. A Constituição do país, reformada em 1994, impede um terceiro mandato. Para reformar novamente a Carta Magna, o governo precisaria de maioria de dois terços dos deputados e senadores – apoio que Cristina atualmente não possui no Congresso. Em outubro de 2013, a dois anos do fim do governo da atual mandatária, serão realizadas eleições de renovação da metade da Câmara e de um terço do Senado.

Leia mais:

Cristina agora quer saber qual jornal os argentinos leem

Cristina diz ser reencarnação de ‘grande arquiteto egípcio’

Governo argentino distorce indicador de cesta básica

Cristina Kirchner defende protecionismo argentino

Justiça investiga vice-presidente argentino por corrupção

(Com agências Reuters e EFE)

Reforma da Constituição para permitir novo mandato de Cristina Kirchner é rejeitada Reforma da Constituição para permitir novo mandato de Cristina Kirchner é rejeitada

Reforma da Constituição para permitir novo mandato de Cristina Kirchner é rejeitada (/)