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Milei vem ao Brasil para pontapé inicial em turnê pela extrema direita latino-americana

Presidente argentino participa de convenção do PL e candidatura de Flávio Bolsonaro. Depois, tem encontro com líderes direitistas no Peru, Equador e Colômbia

Por Amanda Péchy Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 24 jul 2026, 09h45 | Atualizado em 24 jul 2026, 10h16
Milei vem ao Brasil para pontapé inicial em turnê pela extrema direita latino-americana Priorizar nos meus resultados Google

O presidente da Argentina, Javier Milei, chega a São Paulo nesta sexta-feira, 24, para participar da convenção do PL e dar apoio à pré-candidatura presidencial do senador Flávio Bolsonaro.

A viagem faz parte de uma turnê mais ampla que vai passear pela extrema direita latino-americana: depois do Brasil, o argentino “anarcocapitalista” segue para o Peru, para a posse da ultraconservadora Keiko Fujimori; ao Equador, para conversas com Daniel Noboa, o presidente que faz “guerra às gangues”; e à Colômbia, para a posse do direitista Abelardo de la Espriella.

Com sua participação na campanha de Flávio nesta primeira parada, ele e a trupe bolsonarista nutrem esperança de estender ao maior país da região a onda que varreu do poder a esquerda na América Latina nos últimos anos, pintando quase todo o continente de azul. Em meio a uma série de problemas na campanha — os escândalos envolvendo o filme Dark Horse e o financiamento de Daniel Vorcaro, do Banco Master, entre os principais deles –, o apoio de um chefe de Estado estrangeiro na convenção do partido (um evento raro) injeta uma necessária dose de ânimo.

+ Direita, volver: a onda conservadora que varre a América do Sul com incentivo de Trump

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Além de Flávio aparecer atrás do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas pesquisas, outros partidos conservadores têm evitado apoiar sua candidatura (pelo menos oficialmente) enquanto o pai, Jair Bolsonaro, cumpre pena de prisão domiciliar por tentativa de golpe de Estado.

“A presença de Milei na convenção ajuda a energizar e mobilizar a base mais ideológica do partido”, disse à agência de notícias Reuters Silvio Cascione, chefe da consultoria Eurasia Group para o Brasil.

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Onda azul

A vitória eleitoral de Milei na Argentina, em 2023, iniciou uma onda de quase uma dúzia de eleições na América Latina vencidas por candidatos de extrema direita com alguns pontos em comum: colocam a segurança pública acima de tudo e são linha dura contra o crime; prometem cortes na máquina pública; e são alinhados ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

O seu apoio a Flávio, bem como aos outros líderes que visitará, serve como um lembrete dos ventos favoráveis ​​mais amplos que dão ao bolsonarista uma chance. “Internacionalizar a pauta da guerra ao crime beneficia quem é desse espectro ideológico”, disse a VEJA Lucas Thut Sahd, diretor-executivo do instituto Real Time Big Data.

Infográfico comparando a política sul-americana em 2023 e hoje. Em 2023, 9 países eram de esquerda (vermelho) e 3 de direita (azul). Hoje, 4 são de esquerda e 8 de direita, indicando uma onda azul. Mapas da América do Sul mostram a mudança de cor dos países, com Venezuela, Guiana e Suriname em cinza claro. Uma nota explica que a Venezuela é oficialmente bolivariana, mas sob comando dos Estados Unidos

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Em toda a região, preocupações com a criminalidade e a estagnação econômica impulsionaram conservadores que defendem uma agenda compartilhada de “lei r ordem em primeiro lugar, mercados em segundo e um relacionamento mais próximo com Washington”, informou o banco JPMorgan em relatório nesta semana.

O líder argentino estará na posse da peruana Keiko em 28 de julho, antes de visitar Noboa e terminar a turnê com a posse de Espriella (conhecido como “El Tigre”) na Colômbia, em 7 de agosto.

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E a agenda de Flávio Bolsonaro tem muito em comum com as plataformas dos vizinhos vitoriosos. Quanto à segurança pública, ele propôs reduzir a maioridade penal de 18 para 16 anos e construir novas prisões de segurança máxima, inspirando-se no presidente de El Salvador, Nayib Bukele, referência-mor para a turma ultraconservadora na região. Na economia, por sua vez, ele promete cortes de impostos e privatizações, além de garantir que vai reduzir a inflação.

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