Milei segue Trump e classifica cartel mexicano como ‘organização terrorista’
Governo argentino já incluiu PCC e Comando Vermelho em sua lista, enquanto EUA avaliam
O governo do presidente Javier Milei anunciou nesta quinta-feira, 26, que a Argentina passou a considerar o Cartel Jalisco Nueva Generación (CJNG), do México, como “organização terrorista”, seguindo os passos do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, seu principal parceiro geopolítico.
O gabinete de Milei afirmou que a medida se insere “no marco dos compromissos internacionais assumidos pela Argentina na luta contra o terrorismo e seu financiamento”.
Segundo comunicado oficial, a inclusão do cartel no registro argentino de pessoas e entidades vinculadas a atos terroristas e seu financiamento permite a aplicação de sanções financeiras e restrições operacionais para limitar a atuação da organização e de seus integrantes. A medida também busca proteger o sistema financeiro argentino de usos ilícitos e reforçar a cooperação com países que já classificaram o grupo como organização terrorista.
Passos do aliado
Em fevereiro de 2025, os Estados Unidos já haviam designado o CJNG e outros grupos criminosos como “organizações terroristas estrangeiras”, no âmbito da ofensiva do governo Trump contra o narcotráfico. O governo Milei havia adotado medidas semelhantes ao classificar como terroristas outros grupos também designados dessa forma pelos Estados Unidos, como o Hamas, de Gaza, e a Força Quds iraniana.
O comunicado do governo argentino destaca que o CJNG se tornou uma das organizações criminosas mais poderosas do mundo, com presença em dezenas de países, incluindo a Argentina. Seu líder, Nemesio “El Mencho” Oseguera, morreu em fevereiro em uma operação das forças mexicanas com apoio de inteligência americana. Washington chegou a oferecer recompensa de US$ 15 milhões por informações que levassem à sua captura.
Fundado em 2010, o CJNG expandiu-se rapidamente e hoje mantém presença em todos os 32 estados mexicanos, segundo fontes da área de segurança ouvidas pelo jornal espanhol El País. A organização disputa territórios estratégicos, como Guanajuato, onde enfrenta o Cartel Santa Rosa de Lima, e Chiapas, palco de confrontos com dissidências do Cartel de Sinaloa.
Tensão com Brasil
Enquanto o governo Trump inclui cada vez mais organizações criminosas latino-americanas na lista de terrorismo, o que amplia sua capacidade de ação contra os grupos no continente que considera seu quintal, segundo nova doutrina de segurança nacional, todos os olhos se voltam para o Brasil.
Antes de uma esperada reunião entre Trump e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na Casa Branca, o governo americano sinalizou que avalia classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras, visando bloquear seus bens e limitar sua atuação global.
A administração brasileira, porém, rejeita essa classificação, argumentando que as facções buscam lucro, sem claras motivações políticas ou ideológicas, diferindo do conceito legal de terrorismo no país. Teme, claro, que o rótulo facilite operações internacionais e intervenções militares na região.
A Argentina já incluiu o PCC e o CV no Registro de Pessoas e Entidades Vinculadas a Atos de Terrorismo (Repet) do país. O governo do Paraguai seguiu seus passos, logo após a megaoperação deflagrada no Rio de Janeiro em outubro passado, que terminou com ao menos 121 mortos.





