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Mikhail Gorbachev afirma sentir ‘vergonha’ da Rússia atual

Vinte anos após fim da Perestroika, ex-dirigente da URSS critica elites do país

Por Da Redação 16 fev 2011, 19h04

O último dirigente soviético, Mikhail Gorbachev, criticou duramente nesta quarta-feira o que chamou de “Rússia de elites depravadas, onde a vida política se resume a uma imitação”. Gorbachev disse ainda ter “vergonha” de seu país quase vinte anos após o fim da Perestroika, lançada por ele. Em outubro do ano passado, o político já havia criticado o governo russo, expressando uma frustração crescente com a liderança do ex-presidente e atual primeiro-ministro Vladimir Putin, que teria minado a jovem democracia do país ao paralisar as forças de oposição.

Durante uma longa entrevista ao jornal de oposição Novaya Gazeta, do qual é acionista, Gorbachev contou que o vice-chefe da administração do Kremlin, Vladislav Surkov, considerado o principal “ideólogo” do poder russo, impediu-o de criar um partido social-democrata. “Tinha a intenção, junto de meus amigos, de criar um partido. Quando Surkov ficou sabendo, ele me perguntou para que servia a legenda e disse que não ia registrá-la”, revelou.

“A classe no poder comporta-se de maneira revoltante. São ricos e depravados. Seguem o exemplo de (Roman) Abramovich”, afirmou Gorbachev, referindo-se ao bilionário, dono do clube de futebol inglês Chelsea, além de iates e mansões luxuosas. “Desprezo esse ideal. Tenho vergonha desta rica devassidão. Tenho vergonha por nós e pelo país”, acrescentou o pai da Perestroika, processo de liberalização iniciado na URSS na segunda metade dos anos 80 e que terminou com a queda do regime soviético em 1991.

Deficiências democráticas – Criticando a anulação de eleições para governadores e a falta de liberdade de expressão nas televisões nacionais, Gorbachev denunciou uma “imitação” da vida política na Rússia. “O presidente (Dmitri Medvedev) e Vladimir Vladimirovich (Putin) fazem o que podem, mas o que acontece no país se parece cada vez mais com uma imitação. Ao invés de tomar medidas concretas, eles tornam absurdas as leis eleitorais”, disse.

Agora que o presidente Medvedev defende uma modernização da Rússia, Gorbachev acredita que um dos principais obstáculos, a fuga de cérebros, se explica pelas deficiências democráticas. “A vida normal está relacionada à democracia e não ao autoritarismo que controla as pessoas e suas liberdades”, destacou. “Se houver um renascimento do projeto democrático, as pessoas vão parar de emigrar e voltarão”, se elas não “dependerem mais do czar, do primeiro-ministro”, continuou.

Vladimir Putin segue sendo considerado por muitos observadores como o verdadeiro líder do país. “A política atual, que se utiliza de todos os meios para se manter no poder, é inaceitável”, concluiu o ex-presidente soviético.

(Com agência France-Presse)

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