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México desmantela quadrilha que tentava levar filho de Kadafi ao país

Cidade do México, 7 dez (EFE).- As autoridades do México informaram nesta quarta-feira terem desmantelado uma rede criminosa internacional que tentava levar ao país ilegalmente Saadi Kadafi, um dos filhos do ex-ditador líbio Muammar Kadafi.

O secretário de Governo mexicano, Alejandro Poiré, afirmou em entrevista coletiva que na operação, denominada ‘Hóspede’, foram detidas quatro pessoas – dois mexicanos, um canadense e um dinamarquês.

Segundo as investigações, os criminosos tentavam dar a Saadi, de 38 anos, e alguns de seus familiares, identidades mexicanas falsas com os nomes de Daniel Béjar Hanan, Amira Nayed Nader, Moad Béjar Sayed e Sofía Béjar Sayed.

O plano incluía a aquisição de propriedades em diferentes lugares do México, mas ‘Daniel Béjar Hanan’ – na verdade, Saadi – iria estabelecer sua residência na Bahia de Banderas, no estado de Nayari.

Os detidos foram identificados como a canadense Cynthia Ann Ranier, suposta líder do grupo e responsável pelas finanças da organização; Gabriela Dávila Huerta (ou Dávila del Cueto), uma mexicana residente nos Estados Unidos e que teria entrado em contato com os falsificadores de documentos; e o dinamarquês Pierre Christian Fleisborg, apontado como responsável pela logística do grupo. O outro detido é o mexicano José Luis Kennedy Prieto, que conseguiu a documentação falsa.

Ranier foi detido em 10 de novembro na Cidade do México, e os demais suspeitos, no dia seguinte. Todos estão em regime de prisão preventiva.

Poiré informou que a organização criminosa fretou vários voos entre México, EUA, Canadá, Kosovo e diversos países do Oriente Médio ‘para coordenar a rota e preparar a logística da mudança de Saadi’.

A rede é acusada de falsificação de documentos oficiais, tráfico de pessoas, abertura de contas bancárias com documentos falsos e delinquência organizada.

Saadi Kadafi nasceu em 1973, foi comandante das Forças Especiais líbias, e é conhecido por sua paixão pelo futebol. Ele chegou a ser jogador profissional, e defendeu três clubes italianos – Perugia, Udinese e Sampdoria, embora tenha entrado em campo apenas uma vez pelos dois primeiros, e nenhuma pelo último.

Acusado de ser o mentor do assassinato de um famoso jogador líbio da década de 80, Saadi conseguiu, em setembro, atravessar a fronteira e se exilar no Níger.

No dia 29 de setembro, a Interpol emitiu uma ordem de prisão contra Saadi a pedido do Conselho Nacional de Transição (CNT) da Líbia, que o acusa de apropriação indevida de propriedades e intimidação armada quando era dirigente da Federação Líbia de Futebol.

De acordo com Poiré, evitar a entrada de Saadi Kadafi no México representa ‘uma amostra da capacidade das instituições do estado mexicano de defender a integridade do território nacional’. EFE