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Metade da população de coalas de reserva morre em incêndios na Austrália

No total, 100 focos de incêndios atingem as áreas rurais dos Estados de Nova Gales do Sul e Queensland; dezessete deles permanecem fora de controle

Incêndios florestais sem precedentes ameaçam áreas de grande extensão na Austrália, com cidades sendo evaziadas e milhares de pessoas tendo de deixar suas casas. As chamas atingem os estados de Nova Gales do Sul e Queensland. Cerca de metade dos coalas da Reserva Natural do Lago Innes morreu com o fogo, estimaram especialistas nesta sexta-feira, 8.

Ao todo, 350 animais da espécie morreram nos incêndios. A população total da reserva, que fica 400 km ao sul de Sidney, era estimada em até 600.

Cuidadores de animais do Hospital de Coalas da cidade de Porto Macquarie, que fica próxima à reserva, estão tratando de coalas resgatados, enfaixando suas feridas e alimentando-os com folhas de eucalipto e fórmula.

“Procuramos sinais de dor, como ranger de dentes e aflição, e encaramos um dia de cada vez”, disse Amanda Gordon, que lidera a equipe de cuidadores e trabalha no hospital há 15 anos, acrescentando que os problemas de saúde de alguns dos animais, símbolo da fauna australiana, podem ser difíceis de detectar.

Os cuidadores estimam que ao menos 10 dias são necessários para se avaliar todos os danos à população de coalas.

Mais de 60% do habitat dos coalas na reserva de Port Macquarie já havia sido destruído em outubro por um dos mais de 15 grandes focos de incêndio que se espalharam pela região devido à estação de seca.

O incêndio

Fumaça no céu de Port Macquarie, Austrália – 08/11/2019

Fumaça no céu de Port Macquarie, Austrália – 08/11/2019 (MIREYA REYES/Reuters)

No total, 100 focos de incêndios atingem as áreas rurais dos Estados de Nova Gales do Sul e Queensland. Dezessete deles, muito perigosos, permanecem fora de controle nesta sexta.

“Nunca tivemos tantos incêndios ao mesmo tempo e com tal nível de urgência”, disse à televisão pública ABC Shane Fitzsimmons, chefe dos serviços de bombeiros da zona rural de Nova Gales do Sul. “Estamos em território desconhecido”, acrescentou.

No verão, os incêndios de ervas daninhas e de várzea são frequentes na Austrália, mas este ano começaram mais cedo. No momento, não há relatos de que os incêndios tenham causado vítimas, embora muitas pessoas tenham ficado presas pelo fogo em suas casas.

As mudanças e os ciclos climáticos causaram uma seca excepcional, um baixo índice de umidade e ventos fortes, que contribuem para causar os incêndios na vegetação rasteira.

As chamas se espalharam por mais de 1.000 quilômetros na costa do Pacífico. Portanto, os bombeiros enfrentam grandes dificuldades, apesar do apoio aéreo de cerca de 70 aparelhos, entre helicópteros e aviões.

Em Nova Gales do Sul, as autoridades indicaram que os incêndios ultrapassaram as áreas onde foram confinados, de modo que parte da Rodovia do Pacífico que liga Sydney e Brisbane teve que ser fechada.

No estado de Queensland, há mais de 50 focos de incêndio. Diversas cidades receberam ordens de esvaziamento, incluindo Cooroibah e Tewantin, que juntas possuem 6.500 habitantes.

Os ventos fortes e as altas temperaturas que atingem a Austrália Oriental devem diminuir no fim de semana, oferecendo assim alívio dos incêndios. No entanto, secas prolongadas e baixos níveis de umidade continuarão favorecendo o fogo. “É uma dinâmica muito volátil e perigosa”, diz Fitzsimmons.

A Austrália anunciou esta semana um programa de ajuda financeira de 1 bilhão de dólares australianos (2,85 bilhões de reais) para combater as consequências da seca.

(Com Reuters e Estadão Conteúdo)