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Merkel: recusa de Trump em assinar comunicado do G7 foi deprimente

Presidente americano deixou encontro no Canadá quatro horas antes; por Twitter, rejeitou o acordo final e chamou Justin Trudeau de "desonesto e fraco"

A chanceler alemã Angela Merkel considerou a reunião do G7, realizada no Canadá na semana passada, uma experiência “preocupante” e “deprimente”, por causa da atuação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que se recusou a assinar o comunicado final. Merkel advertiu os Estados Unidos que os países europeus não serão “explorados” em questões comerciais.

O resultado do encontro anual dos líderes das sete nações mais industrializadas do mundo, disse a chanceler em entrevista à televisão pública da Alemanha no domingo, 10, “não foi uma grande coisa”. “Eu falei de uma experiência decepcionante, o que para mim é muito”, acrescentou.

Merkel, o presidente francês Emmanuel Macron e os demais líderes do G7 entraram em confronto com Trump sobre as tarifas aplicadas  pelos Estados Unidos à importação de aço e alumínio, bem como sobre sua decisão de abandonar o acordo de 2015 com o Irã, cujo objetivo era limitar o programa nuclear iraniano.

Como acontece em toda reunião de cúpula, o documento final é elaborado previamente por negociadores de todos os países envolvidos. Os negociadores, obviamente, seguem a orientação de seus governos. O texto apresentado em Charlevoix, no Canadá, seguiu a máxima diplomática de concordar em discordar sobre algumas questões.

Mas no momento de assiná-lo, Trump preferiu repudiar o documento por meio do Twitter. Ele deixara o encontro quatro horas antes com a escusa de viajar a Singapura para reunir-se com o líder norte-coreano, Kim Jong-un, na noite de hoje. Também por meio do Twitter, Trump chamou o anfitrião do evento, o primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, de “desonesto e fraco”.

“Baseado nas falsas declarações de Justin na conferência de imprensa, e no fato de que o Canadá está aplicando massivas tarifas sobre nossos fazendeiros, trabalhadores e companhias americanos, eu instrui nossos representantes a não endossar o comunicado final (do G7) enquanto nós olhamos para as tarifas sobre os automóveis que estão inundando o mercado americano”, escreveu TRump

“Voltar atrás por Twitter foi certamente também preocupante e também um pouco deprimente”, rebateu Merkel.

Ela disse que a União Europeia “agiria” contra as medidas comerciais dos EUA de qualquer forma. Os líderes europeus consideram o início de uma controvérsia na Organização Mundial do Comércio (OMC).

(Com Associated Press)

Comentários

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  1. A imagem que ilustra a reportagem é, para mim, altamente icônica e mostra como se dá desde sempre a distribuição de poder no mundo. Trump, sentado, com o costumeiro ar de arrogância e fazendo ouvidos moucos, observa os representantes de potências mundiais, exasperados, implorando-o a crer que do jeito que está não dá. Justin Trudeau, que foi cortado da imagem, com um ar de menino inexperiente também os observa ao lado de Trump e que mais tarde levará o troco, na opinião exclusiva de Trump, por não ter se comportado como deveria. No final, Trump pegou a bola, caiu fora, o jogo foi suspenso e todos ficaram chupando os dedos com ar de incredulidade. Fosse no Brasil, indagariam “Pode isto Arnaldo?”.

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  2. Esse pobre grupinho de “líderes” europeus junto com seu coleguinha canadense não conseguem aceitar que o mundinho teórico e ideal que existe dentro se suas cabecinhas liberais está sendo demolido a marretadas pela realidade. Enquanto esses pobres diabos dão chiliques de indignação, Trump joga o jogo duro e acertivo pelo balanço do poder global.

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