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Merkel: incêndios na Amazônia são uma ‘situação urgente’

Chanceler alemã se juntou aos líderes francês e canadense e pediu que tema seja discutido na reunião de cúpula do G7

A chanceler da Alemanha, Angela Merkel, se juntou aos líderes da França e do Canadá e afirmou nesta sexta-feira, 23, que os incêndios na Amazônia constituem uma “situação urgente” que deve ser discutida durante a cúpula do G7 neste fim de semana.

“A chanceler está convencida” que a questão “deve constar na agenda dos países do G7 quando se reunirem este fim de semana” em Biarritz, França, declarou o porta-voz de Merkel, Steffen Seibert, em Berlim.

A líder alemã “apoia completamente o presidente francês” neste ponto, acrescentou.

Na quinta, Macron afirmou por meio do Twitter que levaria a questão dos incêndios na região amazônica à reunião de cúpula do G7. O líder francês disse ainda que “nossa casa está queimando”.

“A floresta amazônica – o pulmão que produz 20% do oxigênio do nosso planeta – está queimando. Esta é uma crise internacional. Os membros do G7 discutirão essa emergência de primeira ordem em dois dias!”, escreveu o francês.

Logo depois, o primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau, declarou que “não poderia concordar mais” com o presidente francês e afirmou que as sete maiores economias do mundo devem “agir pela Amazônia” e “agir pelo planeta”. “Nossos filhos e netos estão contando conosco”, escreveu, também no Twitter.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, também disse estar “profundamente preocupado”. Em meio a uma crise climática global, não podemos arcar com mais danos a uma importante fonte de oxigênio e de biodiversidade”, disse nas redes sociais.

A pressão internacional sobre o Brasil aumentou após a divulgação de informações sobre o aumento das queimadas na Amazônia. Segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), as queimadas tiveram um acréscimo de 82% de janeiro a agosto de 2019 ante o mesmo período do ano passado. Esta é a maior alta no índice em sete anos.

Segundo especialistas, a alta de incêndios está relacionada ao desmatamento promovido para a criação de pastagens e lavouras, uma vez que neste ano não houve um período de seca tão intenso como nos anos anteriores.

Em resposta às críticas, o presidente Jair Bolsonaro insinuou que os incêndios têm sido provocados por ONGs com o intuito de prejudicá-lo.

Nesta quinta, após os comentários de Macron, o líder brasileiro também se pronunciou e afirmou que a iniciativa do francês “evoca a mentalidade colonialista descabida no século XXI” e o chamou de “sensacionalista”.

Nos últimos dois dias, diversos artistas se manifestaram sobre a destruição na Amazônia, entre eles Anitta, Elza Soares, Caetano Veloso, Taís Araújo, Luan Santana e Daniel Alves. A maioria compartilhou a mensagem “Rezem pela Amazônia”. Artistas do exterior também se mobilizaram em suas redes, como Leonardo DiCaprio, Lindsay Lohan, Kim Kardashian, entre outros.

Uma corrente divulgada nas redes sociais também convoca manifestações pela preservação da Amazônia em oito capitais do país para este fim de semana. Os atos estão sendo organizados pelo movimento 342, liderado pela produtora Paula Lavigne. Com o mote “Todos pela Amazônia”, o principal protesto deve acontecer na praia de Ipanema, no Rio de Janeiro, no domingo 25.

Capitão Nero

A revista britânica The Economist classificou Bolsonaro como “o chefe de Estado mais perigoso em termos ambientais do mundo”. Nesta quinta-feira 22, em tom desafiador, Bolsonaro afirmou não ser o “capitão Nero”, em uma referência ao imperador romano infame pelo incêndio de Roma, no ano 64. Bolsonaro, que insiste em culpar as organizações ambientalistas pelas queimadas na Amazônia, agregou a imprensa entre os responsáveis.

“Não estou defendendo as queimadas, porque sempre houve e sempre haverá, infelizmente acontece isso ao longo da vida da Amazônia”, declarou, ao deixar o Palácio da Alvorada. “Agora, me acusar como capitão Nero, tocando fogo lá, é uma irresponsabilidade, é fazer campanha contra o Brasil.”

Bolsonaro, que nega a mudança climática e defende que as reservas indígenas e as zonas protegidas da floresta sejam abertas a atividades agropecuárias e à mineração, voltou a criticar a “psicose ambiental” que obstruiria o desenvolvimento do país. “Essa psicose ambiental não deixa fazer nada. Eu não quero acabar com o meio ambiente. Eu quero é salvar o Brasil”, afirmou ainda, defendendo a mudança de orientações em relação às últimas décadas.

(Com AFP)