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Merkel diz que Reino Unido não poderá manter acesso ao mercado comum

"Quem deseja sair da família europeia não pode esperar que as obrigações desapareçam e que se mantenham os privilégios", afirmou a chanceler alemã

A chanceler da Alemanha, Angela Merkel, afirmou nesta terça-feira que o Reino Unido não poderá manter o acesso ao mercado único da União Europeia (UE) se negar a livre circulação de cidadãos comunitários em seu território. Merkel fez a afirmação em um comunicado do governo ao Parlamento alemão, onde fixou sua posição antes da reunião de cúpula de líderes que começa hoje em Bruxelas, centrada no impacto sobre o Brexit.

“Acesso ao livre ao mercado comum alcança aquele que aceita as quatro liberdades fundamentais europeias: a de pessoas, bens, serviços e capital”, afirmou a chanceler. “Deve haver e haverá uma diferença palpável entre ser e não ser parte da família europeia. Quem deseja sair desta família não pode esperar que as obrigações desapareçam e que se mantenham os privilégios”, afirmou. A chanceler deu como exemplo a Noruega, um país que não pertence à UE mas que, para ter direito de acesso ao mercado único, cumpre uma série de requisitos e obrigações.

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Sobre os prazos para o Brexit, Angela Merkel insistiu que, como o estipulado, está em mãos do Reino Unido decidir quando informar aos membros sua vontade de deixar a UE, para iniciar o processo de saída. No entanto, aconselhou seus “amigos britânicos que não se deixem enganar” porque antes dessa comunicação não haverá negociações nem conversas, “nem formais, nem informais”.

Os 27 países-membro notaram que o primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron, quer deixar o processo em mãos de seu sucessor ou sucessora, apontou a chanceler. Mas Merkel foi firme e disse que Londres deve saber que não haverá “conversas prévias” antes que comunique ao Conselho sua decisão. Ela também assegurou que não é contraditório afirmar também que a Alemanha e a UE se guiarão por seus “próprios interesses” na hora de negociar com o Reino Unido que passará a ser um “terceiro país”.

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(Da redação)