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Membro da Fundação Mandela se demite por causa de ‘diamantes de sangue’

Jeremy Ratcliffe ficou com as pedras que recebeu da modelo Naomi Campbell

Por Da Redação - 19 ago 2010, 10h37

“Eu disse a Naomi que não envolveria o Fundo em nada que pudesse ser ilegal. No fim das contas, decidi que deveria ficar com os diamantes”

O ex-diretor executivo do Fundo de Ajuda à Infância de Nelson Mandela (NMCF), Jeremy Ratcliffe, decidiu deixar o cargo após os escândalos dos “diamantes de sangue”. No último dia 6, ele entregou à polícia três pedras que havia recebido da modelo Naomi Campbell – que, por sua vez, havia ganho do ex-presidente da Libéria, Charles Taylor, que está sendo julgado por crimes de guerra. As pedras preciosas teriam sido vendidas pelo governo de Taylor para financiar a compra de armas durante a guerra civil do país.

Em seu depoimento, Naomi declarou ao Tribunal Especial de Haia para Serra Leoa (TESL) que, logo após receber os diamantes, os entregou a Ratcliffe porque queria que eles fossem usados para uma causa beneficente. Ele, no entanto, admitiu ter ficado com as pedras e jamais tê-las repassado à NMCF. “Eu disse a ela que não envolveria o Fundo em nada que pudesse ser ilegal. No fim das contas, decidi que deveria ficar com eles”, contou. Ao renunciar ao cargo de membro do conselho da organização, Ratcliffe se desculpou por ter causado “um possível risco à reputação” da fundação.

A promotoria afirma que Naomi Campbell recebeu os diamantes de Taylor em 1997, depois de um jantar beneficente na casa do então presidente sul-africano, Nelson Mandela. O testemunho dela ao Tribunal demonstrou que Taylor mentiu ao afirmar que nunca teve diamantes brutos em seu poder.

Charles Taylor – Suspeita-se que o ex-presidente liberiano tenha dirigido os rebeldes da Frente Revolucionária Unida (RUF) em Serra Leoa, abastecendo-os com armas e munições em troca de diamantes, durante a guerra civil nesse país (1991 a 2001). Taylor, de 62 anos, é acusado de 11 crimes de guerra e crimes contra a humanidade cometidos durante este período. Ele nega as acusações de assassinato, estupro, recrutamento de meninos soldados, escravidão e saques. A Frente Revolucionária Unida é acusada de mutilar centenas de civis, que tiveram suas mãos e braços decepados em uma das guerras mais brutais da história moderna, que matou cerca de 120.000 pessoas.

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