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Medvedev adverte contra ‘provocadores’, mas anuncia mudanças

Por Por Luc Perrot 22 dez 2011, 09h56

O presidente russo, Dimitri Medvedev, denunciou nesta quinta-feira em Moscou os “provocadores e extremistas” da oposição que fomentam o caos apoiados por forças estrangeiras, mas, ao mesmo tempo, afirmou que “ouviu” os desejos de mudança e prometeu uma reforma política.

Acusações quase idênticas foram lançadas pelo primeiro-ministro Vladimir Putin, num momento em que a oposição prepara uma enorme manifestação em Moscou.

De acordo com especialistas e parte da imprensa, o poder russo está se esforçando para frear a crescente onda de questionamentos após as eleições legislativas de 4 de dezembro, marcadas por denúncias de fraudes generalizadas.

“O direito das pessoas de expressar sua opinião através de todos os meios legais está garantido, mas as tentativas de manipular os cidadãos russos, de induzi-los ao erro, de atiçar os conflitos sociais, são inaceitáveis”, disse Medvedev diante das duas câmaras do Parlamento.

“Não deixaremos os provocadores e os extremistas arrastarem a sociedade em suas aventuras. Não toleraremos tampouco a ingerência externa em nossos assuntos internos”, disse, corroborando as acusações formuladas por Putin sobre o papel dos Estados Unidos no incentivo às manifestações.

“A Rússia precisa de democracia, e não de caos”, disse o presidente.

As eleições legislativas suscitaram uma onda de protestos sem precedentes no país desde a década de 1990, nos quais a oposição denuncia fraudes generalizadas em benefício do partido no governo, Rússia Unida, para manter a maioria absoluta na Duma (câmara baixa do Parlamento).

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“Proponho uma reforma completa de nosso sistema político”, disse Medvedev. “Eu escuto os que falam da necessidade de uma mudança, e os entendo”, afirmou.

Medvedev anunciou o retorno das eleições diretas dos governadores de regiões (nomeados pelo Kremlin desde 2004), uma simplificação das regras de registro de partidos políticos e a redução de dois milhões para 300 mil no número de assinaturas de eleitores para registrar uma candidatura presidencial.

O presidente também propôs a criação de uma nova rede pública de televisão, para que torne “mais competitivo” o cenário dos meios de comunicação.

Medvedev insistiu que as propostas tinham o apoio de Putin, que já adiantou sua intenção de disputar como candidato as eleições presidenciais de março de 2012.

O presidente russo também alertou contra a crise econômica mundial, que pode durar “muitos anos”, embora tenha destacado que, durante seu governo, “o país passou com honras pelas provas da crise”.

Para o analista Nikolei Petrov, do Centro Carnegie, as propostas de Medvedev estão destinadas a fazer com que o regime “sobreviva”. Yuri Korguniul, do fundo Indem, expressou uma opinião similar, acrescentando que o governo percebeu que “já não pode fazer hoje o que fazia ontem”.

Os dois especialistas, no entanto, concordam que pode ser “muito tarde” para que os anúncios tenham alguma influência no desenrolar da crise política.

Segundo um estudo publicado nesta quinta-feira, cerca de 200 mil pessoas são esperadas na manifestação prevista para o sábado em Moscou. Se este número for confirmado, será o maior protesto público desde a chegada de Putin ao poder, no ano 2000.

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