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Médicos não acreditavam na sobrevivência de ex-espião russo envenenado

Equipe médica que atendeu Skripal e sua filha temia receber mais casos de contaminação; Londres acusou Moscou de usar agente químico Novichok

Por Da Redação - Atualizado em 30 jul 2020, 20h19 - Publicado em 29 Maio 2018, 10h36

A equipe médica de Salisbury que atendeu ao ex-espião russo Sergei Skripal e sua filha Yulia, envenenados por agente químico no início do ano, pensou que eles não sobreviveriam e que haveria muito mais vítimas, segundo testemunhos divulgados nesta terça-feira (29) pela BBC.

Os Skripal foram envenenados por agente químico em março deste ano na cidade de Salisbury, no sul da Inglaterra, e permaneceram hospitalizados por várias semanas em estado crítico. O governo britânico culpou a Rússia.

O médico Stephen Jukes, encarregado da Unidade de Terapia Intensiva do hospital de Salisbury, disse à BBC que, ao perceber que pai e filha tinham sido atacados com um agente químico, chegou à conclusão que não sobreviveriam.

“Recorreríamos a todos os nossos tratamentos. Nos certificamos que eles tivessem o melhor cuidado clínico. Mas toda a evidência era de que não sobreviveriam”, afirmou Jukes, sobre o atendimento nos dias seguintes ao ataque.

A diretora de enfermaria do hospital de Salisbury, Lorna Wilkinson, disse para a emissora britânica que estava preocupada com o surgimento de mais feridos, depois que o policial Nick Bailey – que socorreu aos Skripal – foi internado com sintomas de intoxicação.

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A equipe revelou que num primeiro momento achou se tratar de um caso de overdose e, por isso, não havia se protegido contra uma substância tóxica. Apenas depois que o policial apresentou os mesmos sintomas dos pacientes russos, os médicos começaram a tomar precauções para mais contaminações. “Houve uma verdadeira preocupação sobre quão grande isso poderia ser”, completou Wilkinson.

Outro médico, Duncan Murray, contou que nunca havia imaginado ter no hospital pacientes por conta de um caso de espionagem. “Eu não teria pensado em minha imaginação mais louca atender um caso assim”, afirmou.

Serguei Skripal recebeu alta em 18 de maio, e sua filha Yulia, em 11 de abril

O caso da família Skripal gerou atrito diplomático entre Londres e Moscou, depois que a primeira-ministra britânica Theresa May responsabilizou o Kremlin pelo ataque e decidiu-se pela expulsão de vários diplomatas russos. Londres acusou Moscou de utilizar o agente químico Novichok, fabricado em laboratórios militares da antiga União Soviética. O caso gerou uma série de expulsões de diplomatas e causou um mal-estar diplomático.

Os relatos dos médicos colhidos pela BBC Two vão ao ar nesta terça-feira no programa BBC Newsnight às 22h30 no horário local (18h30 no horário de Brasília).

(Com EFE)

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