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May apela por aprovação do acordo do Brexit em votação decisiva hoje

Nova versão do acerto entre Reino Unido e União Europeia ainda enfrenta resistência da base conservadora e da oposição

A primeira-ministra britânica, Theresa May, alertou nesta terça-feira, 12, que a saída da União Europeia pode estar em risco caso seu acordo para o Brexit seja novamente derrotado. Às 16h (horário de Brasília), o Parlamento votará a nova versão de seu acerto com os europeus. O resultado, seja qual for, será determinante para a retirada do Reino Unido, marcada para o próximo 29 de março.

Com a voz rouca, depois de negociar madrugada adentro com representantes do bloco econômico do Parlamento, May pediu o apoio à “versão melhorada” de seu acordo. Caso contrário, alertou ela, o reino Unido se arrisca a não ter “nenhum Brexit.”

Apesar dos esforços do governo, um grupo importante de deputados conservadores, assim como o Partido Unionista Democrático (DUP), já declararam que rejeitarão novamente os termos da primeira-ministra.  Eles alegam que as garantias legais do texto não são suficientes para prevenir que o Reino Unido permaneça ligado às regras aduaneiras da União Europeia.

Caso o projeto reformado não seja aprovado pelo plenário, a líder britânica prometeu que dará aos parlamentares o poder de decidir os próximos passos em relação ao Brexit. A previsão é que a Casa vote já na quarta-feira, 13, a saída sem acordo da União Europeia. Em caso de nova rejeição, eles devem deliberar na quinta, 14, sobre a possibilidade de Londres apelar ao Artigo 50 do Tratado de Lisboa, que trata da retirada de qualquer membro do bloco, para postergar o prazo do Brexit.

Em comunicado, o European Research Group, uma união de membros do Partido Conservador, afirmou que “sob a luz de nossa própria análise legal, não recomendamos que os parlamentares aceitem a moção do governo no dia de hoje”. Já o DUP declarou que May “não alcançou progresso suficiente a esta altura.”

Com o marido, Philip, assistindo a seu discurso de uma das galerias da Câmara dos Comuns, May argumentou que a confiança do povo britânico está em jogo na votação desta terça. “O perigo, para nós que queremos a fé do público britânico e entregar o que eles desejavam votando pelo Brexit, é que, se estes termos não forem aprovados esta noite, se este acordo não for passado, o Brexit pode ser perdido.”

“Este é o momento, esta é a hora”, continuou May, “apoiem a moção e o acordo está feito, porque apenas depois disso poderemos lidar com aquilo que estamos aqui para fazer”, completou a líder, criticando a paralisia da máquina pública em torno dos impasses sobre o Brexit. “Não podemos servir ao nosso país passando por cima de uma decisão democrática do povo britânico.”

Charles Walker, um dos principais parlamentares conservadores, opinou em um programa de rádio da BBC que uma nova derrota na votação de hoje levará à queda do atual governo britânico. “Se o acordo não passar hoje, é tão certo como a noite após o dia que eleições gerais serão convocadas em questão de dias ou semanas. A situação atual no Parlamento não é sustentável”, disse Walker.

Discursando antes de May, o procurador-geral britânico, Geoffrey Cox, considerado fundamental para uma possível aprovação do acordo, avaliou que as alterações de May não diminuíram o risco legal de que o Reino Unido permaneça refém de regras aduaneiras da União Europeia.

Por outro lado, Cox admitiu avanços da primeira-ministra para “reduzir o risco de que o Reino Unido esteja indefinidamente e involuntariamente detido” na polêmica cláusula do backstop. Essa regra permite a preservação do livre comércio entre a Irlanda e a Irlanda do Norte, um território britânico, para evitar uma fronteira dura. As duas nações têm um conflito histórico.

O procurador afirmou que um possível acordo comercial pós-Brexit com a União Europeia não passa de um “julgamento político” e recomendou que os parlamentares apoiem o acordo de May.

Já o líder da oposição trabalhista, Jeremy Corbyn, afirmou que a primeira-ministra apresenta o mesmo “acordo ruim” que os parlamentares rejeitaram no início do ano e garantiu que seu partido manterá a rejeição ao texto pois ele “arrisca o padrão de vida da população.”

(Com Agência Efe)