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Maulana Fazlullah é escolhido o novo chefe do Talibã paquistanês

Terrorista é apontado como o responsável por atacar a escola em que estudava a jovem Malala Yousafzai

Por Da Redação 7 nov 2013, 14h51

O terrorismo talibã tem um novo chefe. O paquistanês Maulana Fazlullah foi escolhido o comandante do Tehreek-e-Taliban Pakistan (TTP) nesta quinta-feira, sucedendo a Mehsud Hakimullah, morto em um ataque com drones feito pelos Estados Unidos na semana passada. Fazlullah liderou as ações brutais do grupo talibã no Vale do Swat, no noroeste do Paquistão, entre 2007 e 2009, antes de uma operação militar retomar o controle da região. A partir de sua base no Vale do Swat, Fazlullah ordenou os assassinatos de pessoas idosas que lideraram comitês de paz contra o Talibã, bem como ativistas de direitos humanos. Entre as muitas pessoas que o Talibã matou ou tentou matar durante este tempo está a jovem Malala Yousafzai, estudante paquistanesa que se transformou em um símbolo da defesa da educação feminina após ser baleada pelos fundamentalistas.

A escolha de Fazlullah foi anunciada pelo chefe interino do TTP, Asmatullah Shaheen, a partir de um local não revelado no noroeste do Paquistão – e celebrada com tiros em Miranshah, a principal cidade da região tribal do Waziristão do Norte, próxima à fronteira com o Afeganistão. A morte de Mehsud ocorreu num momento em que representantes do governo se preparavam para se encontrar com o TTP, visando à abertura de negociações de paz. O ataque de drones provocou uma resposta irritada de Islamabad. O ministro do Interior, Chaudhry Nisar, acusou Washington de sabotar os esforços de paz.

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‘Carreira profissional’ – Nascido em 1974 na aldeia de Kuza Bandai, no Waziristão do Norte, Fazlullah passou sua adolescência vendendo madeira e fazendo pequenos trabalhos temporários. Ele matriculou-se em uma madrassa, escola islâmica, dirigida por Sufi Mohammed, líder de um grupo terrorista. Fazlullah passou a participar do grupo e liderou uma tropa de combatentes do Vale do Swat no Afeganistão, contra as forças americanas, após a invasão do país, em 2001. O casamento com a filha do chefe terrorista o ajudou a ascender na hierarquia do terrorismo.

Em 2004, depois de retornar da guerra do Afeganistão, Fazlullah montou uma estação de rádio local no Vale do Swat. Ele tinha um programa próprio que era usado para espalhar suas ideias a respeito da sharia, código de leis islâmicas. Segundo a rede Al Jazeera, ele também usou o rádio para se posicionar contra as vacinas de pólio para crianças, alegando que a campanha de vacinação era uma “conspiração ocidental” para esterilizar muçulmanos.

Com status de veterano da guerra do Afeganistão e fama de radialista, Fazlullah passou a rivalizar com seu sogro no comando dos talibãs do Vale do Swat. Com apoio de seus seguidores, Fazlullah abriu uma madrassa própria em Imam Dehri. Ao final de 2007, Fazlullah já liderava os terroristas do Vale do Swat e estabeleceu um sistema judiciário paralelo. Ele também proibiu o funcionamento de alguns pontos comerciais na região, tais como lojas de CDs, que seu grupo acredita ser anti-islâmico. Literalmente tocando o terror, o grupo de Fazlullah realizou ataques contra dezenas de escolas de meninas, por acreditar que as mulheres não deveriam receber educação. Em uma dessas escolas estudava a jovem Malala Yousafzai, que conseguiu escapar da morte após ser baleada na cabeça.

Recuperada, ela tornou-se porta-voz mundial de uma causa até há pouco quase desconhecida (entre outros motivos, por ter surgido em uma região que já parecia ter problemas demais a tratar): os milhares de meninas no Afeganistão e no Paquistão que, graças a uma interpretação do Islã eivada de ignorância e ódio, são impedidas de ter acesso à educação e a um futuro melhor. Durante a liderança de Fazlullah no Swat, os talibãs aplicaram uma versão rigorosa da lei islâmica sharia, incendiando escolas e efetuando a decapitação pública daqueles que consideravam traidores e criminosos.

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