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Maquinista de trem que descarrilou na Espanha está detido no hospital

Descarrilamento deixou pelo menos oitenta mortos e mais de noventa feridos

O maquinista Francisco José Garzón Amo, de 52 anos, que conduzia o trem que descarrilou nesta quarta-feira em Santiago de Compostela, noroeste da Espanha, está sob custódia no hospital. O acidente deixou pelo menos oitenta mortos e mais de noventa feridos. A Suprema Corte da região da Galícia informou em comunicado que o juiz responsável pela investigação do acidente ordenou que ele seja interrogado – o que deve ocorrer nesta sexta-feira, quando ele também deverá ser acusado formalmente. O outro operador do trem já recebeu alta médica – não há informações de investigação em curso contra ele.

Vídeo: O momento da tragédia

Todos os indícios apontam que a causa da tragédia foi excesso de velocidade. O maquinista admitiu que fez a curva perto da estação Santiago de Compostela a 190 quilômetros por hora, quando o limite era 80 quilômetros por hora. A velocidade exata em que o trem estava no momento do acidente está registrada no tacógrafo, a caixa preta dos trens, que já está em poder do juiz. O magistrado também ordenou a recuperação de documentos e informativos que permitam avançar na investigação.

Para tentar tirar o peso da responsabilidade do maquinista, o sindicado da categoria se agarrou a uma particularidade do sistema de segurança instalado na via, que só permite que o trem seja freado automaticamente quando se ultrapassa os 200 quilômetros por hora, informou o jornal El País. Até este ponto, a decisão de reduzir a marcha fica nas mãos do maquinista, embora haja um aviso de excesso de velocidade. O sindicato afirma que a tragédia poderia ter sido evitada se a via contasse com um sistema mais moderno, usado para trens de alta velocidade.

Garzón começou a trabalhar na Renfe, a estatal de serviços de transportes ferroviários, há 30 anos, prestando serviços auxiliares. Há dez anos, tornou-se maquinista (depois de um período de três anos como ajudante de maquinista) e estava na linha da região da Galicia há três anos. O secretário-geral do sindicato dos maquinistas, Juan García Fraile, afirmou que Garzón “é um ferroviário com longa trajetória em condução” e, por isso, “deveria conhecer” a estrutura na qual trabalhava.

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Na madrugada de quinta-feira, o perfil do maquinista no Facebook foi desativado. Antes disso, no entanto, a imprensa espanhola já havia divulgado uma imagem postada em março do ano passado do velocímetro de um trem marcando 200 quilômetros por hora. A legenda dizia: “Estou no limite, não posso correr mais, senão me multam”. Ele chegou a ser advertido por outros usuários sobre a sua conduta.

Família Real – O rei Juan Carlos e a rainha Sofia visitaram nesta quinta-feira os feridos e as famílias das vítimas do acidente e prestaram solidariedade às famílias. “Todos os espanhóis sentem a dor das famílias e esperamos que os feridos possam se recuperar logo. Todos os espanhóis estão unidos neste momento”, disse o rei.

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De acordo com o jornal El País, 67 vítimas do descarrilamento foram identificadas até o momento. Entre os 94 feridos, 35 estão em estado grave, incluindo quatro crianças.

(Com agência Reuters)