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Manifestantes voltam às ruas contra a violência em Caracas

Mais de 3 000 jovens se reuniram na capital venezuelana para protestar contra a violência dos 'coletivos' — os simpatizantes do chavismo que se infiltraram armados nas manifestações

Por Da Redação 16 fev 2014, 21h22

Milhares de estudantes voltaram às ruas neste domingo em Caracas para denunciar a violência deflagrada por grupos de encapuzados após o início das manifestações que tomam as ruas da Venezuela nos últimos dias. Ao longo da semana, três pessoas morreram, 70 ficaram feridas e 200 foram presas. Os incidentes são atribuídos a grupos de chavistas infiltrados. Já o presidente Nicolás Maduro classificou os manifestantes como “fascistas” que querem “acabar com a paz”. Trata-se do maior movimento contra o governo do discípulo chavista desde que assumiu o poder, em abril de 2013.

Mais de 3 000 jovens se concentraram no setor leste de Caracas para repudiar a violência registrada em manifestações que acontecem desde 12 de fevereiro no país. A tomada das ruas contra o governo desencadeou batalhas entre manifestantes e militares. Os estudantes responsabilizam os denominados “coletivos”, simpatizantes do chavismo, de estarem armados e serem os responsáveis pela violência. “Vamos continuar na rua, em paz, sem violência. Exigimos do (presidente) Nicolás Maduro o desarmamento dos ‘coletivos’. Enquanto não se desarmarem, não deixaremos as ruas”, disse diante da multidão Gabriela Arellano, estudante da Universidade dos Andes (leste) e uma das líderes do movimento.

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Em reunião, foi decidida uma nova manifestação na manhã de segunda-feira, que partirá do município de Chacao, cenário de confrontos nas últimas quatro noites, até o centro de Caracas para exigir o desarmamento desses grupos. “O mais interessado em colocar em nós o rosto da violência é o governo. Por isso infiltrou a marcha de 12 de fevereiro”, disse Antonio Ledezma, prefeito metropolitano de Caracas e um dos líderes da oposição.

Segundo o jornal espanhol El País, usuários do Twitter têm relatado dificuldade em postar fotos e vídeos sobre os protestos no site microblog. A estatal de telecomunicações CANTV controla cerca de 90% das transferências de dados na Internet, segundo o jornal. O El País também afirma que jornais e redes de televisão venezuelanos estão limitando a veiculação de notícias sobre as manifestações, a mando do governo.

Na quarta-feira, praticamente nenhum canal de televisão transmitiu imagens dos protestos. Jornais impressos, que dependem da autorização do governo para a compra de papel, também têm dado pouco destaque às manifestações. Até o momento, três jornalistas que cobriam os protestos estão presos.

O jornal espanhol também denunciou ainda a suspensão, por parte de Maduro, dos serviços de de metrô e ônibus que fazem o transporte entre Caracas e os municípios próximos, Sucre, Chacao e Baruta, governados pela oposição – e palco do início dos protestos.

As mobilizações se iniciaram no começo de fevereiro nos estados de Táchira e Mérida (leste) para denunciar a insegurança nos campi estudantis. O protesto se estendeu em todo o país e somou-se às demandas de liberdade para estudantes detidos, além de melhores condições de vida.

A Venezuela, que conta com as maiores reservas mundiais de petróleo, registra uma inflação de 56,3% e uma aguda escassez de alimentos e produtos básicos.

(Com Agência France-Presse)

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