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Manifestantes protestam contra condenação de Garzón

Juiz que mandou prender Pinochet foi suspenso por 11 anos e será afastado

Cerca de 2.000 manifestantes se reuniram neste domingo em Madri, na Espanha, para protestar contra a condenação do juiz Baltasar Garzón, proibido de exercer a profissão por 11 anos. Os protestos ocorreram em frente à Corte Suprema, onde Garzón, que ficou célebre por ordenar a prisão do ditador chileno Augusto Pinochet, foi condenado na última quinta-feira por autorizar escutas ilegais.

Na próxima terça-feira, o Conselho Geral do Poder Judiciário (CGPJ), instância máxima dos juízes na Espanha, irá notificar Garzón formalmente da decisão e deve efetivar a expulsão do magistrado da carreira judicial, uma consequência prática do veredicto.

Os manifestantes chamaram a decisão de “vergonhosa” e saudaram o juiz com gritos de ordem como “Garzón, amigo, o povo está contigo” e “Queremos justiça”. “Que vergonha, que asco”, lia-se em alguns dos numerosos cartazes e bandeiras agitados durante a manifestação. “Esse é o único juiz que se atreveu a abrir processos sobre temas que eram politicamente incorretos”, disse Manuel Melero, professor de 47 anos que esteve presente juntamente de suas duas filhas.

Baltasar Garzón foi condenado por ter ordenado gravações das conversações entre advogados e seus clientes suspeitos de corrupção que envolvia altos funcionários do conservador Partido Popular, agora no poder, em violação com os direitos da defesa.

Ele está sendo também processado em outros dois casos, um deles por ter investigado o desaparecimento de mais de 100.000 pessoas durante a Guerra Civil (1936-1939) e os crimes do franquismo (1939-1975). “Parece-me muito injusto que um juiz que pela primeira vez tentou fazer justiça, tentando devolver a milhares de familiares seus mortos, seja condenado”, disse Alba Vidal, uma estudante de 19 anos presente na manifestação.

(Com agência France-Presse)