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Manifestantes e policiais voltam a se enfrentar no Cairo

Doze pessoas morreram desde o início dos novos protestos, há cinco dias

Novos confrontos foram registrados entre manifestantes e policiais nesta segunda-feira no Cairo, que enfrenta há cinco dias uma nova onda de protestos inciada após a tragédia no estádio de Port Said, na última quarta-feira. Segundo testemunhas, os manifestantes arremessaram pedras contra a polícia, que respondeu com disparos de borracha. Os choques ocorrem nas ruas próximas à Praça Tahrir, que levam à sede do Ministério Interior, cenário dos distúrbios desde quinta-feira passada.

Entenda o caso

  1. • Na onda da Primavera Árabe, que teve início na Tunísia, egípcios iniciaram, em janeiro, sua série de protestos exigindo a saída do então presidente Hosni Mubarak.
  2. • Durante as manifestações, mais de 800 rebeldes morreram em choques com as forças de segurança de Mubarak que, junto a seus filhos, é acusado de abuso de poder e de premeditar essas mortes.
  3. • Após 18 dias de levante popular, em 11 de fevereiro, o ditador cede à pressão e renuncia ao cargo, deixando Cairo; em seu lugar assumiu a Junta Militar.

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Segundo o balanço oficial, doze pessoas perderam a vida e mais de 2.500 ficaram feridas desde então em confrontos no Cairo e Suez. Junto com os protestos contra a negligência das forças de segurança no massacre do estádio de Port Said, que deixou 79 mortos, as manifestações voltaram a aumentar a pressão contra a Junta Militar que dirige o país desde a queda do ex-ditador Hosni Mubarak, em 11 de fevereiro do ano passado.

Enquanto a tensão sobe no Egito, estudantes de diversas universidades e ativistas pró-democracia tentam aproveitar a nova onda de protestos e indignação contra o governo para convocar greves e ações de desobediência civil. A ideia dos manifestantes é parar o país para sinalizar sua insatisfação com o ritmo das mudanças no Egito no primeiro aniversário do fim do regime de Hosni Mubarak.

Transferência – O ex-ditador, que enfrenta julgamento por corrupção e por ter ordenado o assassinato de manifestantes durante a revolta que o derrubou, será transferido do hospital no qual se encontra para a prisão de Tora, ao sul do Cairo, anunciou nesta segunda-feira o presidente do Parlamento, Saad Katatni. Segundo o parlamentar do Partido da Justiça e Liberdade, braço político da Irmandade Muçulmana, o Ministério do Interior concordou com a transferência.

Durante uma sessão da Assembleia do Povo, Katatni destacou que o ministro da Pasta, Mohamed Ibrahim, aceitou transferir Mubarak e deslocar os ex-membros do antigo regime presos em Tora para outras prisões do país, como havia sido solicitado por diferentes instâncias. Além disso, uma delegação de deputados deixou a Câmara para se dirigir à rua Mohamed Mahmoud, próxima ao Ministério do Interior, e verificar no local a situação dos choques entre a polícia e os manifestantes.

(Com agência EFE)