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Manifestantes armam barricadas em Caracas em dia de tributo a Chávez

Manifestantes e Guarda Bolivariana entram choque em Carrizal; aliados do regime, como Raúl Castro, participam de homenagens

Por Da Redação 5 mar 2014, 13h13

Em meio à onda de protestos que sacode a Venezuela, o governo do país promove nesta quarta-feira um dia de homenagens a Hugo Chávez, cuja morte completa um ano. A data não deve ser celebrada com a tranquilidade desejada pelo presidente Nicolás Maduro, o sucessor de Chávez. A capital Caracas amanheceu com dezenas de barricadas erguidas por manifestantes em vários pontos da cidade, o que acabou provocando o fechamento de vias e congestionamentos, de acordo com informações da imprensa venezuelana. A Guarda Nacional teve de ser chamada para retirar as tábuas, pedras e sacos de lixo que formavam as barreiras.

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Segundo o jornal oposicionista El Universal, manifestantes e a Guarda Nacional Bolivariana (GNB) entraram em choque em Carrizal, no Estado de Miranda, quando um grupo tentou levantar uma barreira em uma das vias da cidade. Ainda de acordo com o jornal, que descreveu a situação como “um campo de batalha”, uma pessoa foi presa. Os jornais locais também estão publicando relatos de tentativas de dispersão de grupos menores manifestantes em Caracas e em Maracaibo.

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A maior das celebrações em homenagem a Chávez está prevista para o fim da tarde, próximo da hora em que sua morte foi oficialmente divulgada. Entre os convidados para a cerimônia constam quase toda a galeria de chefes de Estado alinhados ideologicamente com o chavismo. Um dos primeiros a chegar foi o ditador cubano Raúl Castro. Também vão participar das homenagens os presidentes da Bolívia, Evo Morales, e da Nicarágua, Daniel Ortega. A presidente Dilma Rousseff mandou a Caracas o secretário-geral da Presidência, Gilberto Carvalho.

As cerimônias começarão com um desfile militar no setor oeste de Caracas, durante o qual o governo exibirá seu equipamento militar. Depois está prevista uma cerimônia no mausoléu de Chavéz. Ao todo, o presidente Nicolás Maduro planejou esticar a agenda de celebrações e a transformou numa espécie de “jornada de tributos” com intermináveis dez dias de duração.

Nesta quarta-feira dia, haverá um desfile militar e uma cerimônia com disparos de canhão precisamente às 16h25 (17h55 de Brasília), horário do anúncio da morte, no Quartel da Montanha, em Caracas, local de concentração da fracassada rebelião militar liderada por Chávez em 1992 e onde seu corpo está sepultado. Desde que o corpo de Chávez foi levado para o local, Maduro e outros dirigentes venezuelanos tornaram o quartel um ponto de peregrinação para os apoiadores do regime. Maduro chegou até a declarar no ano passado até que costuma dormir junto à tumba de Chávez.

Além do desfile e da cerimônia, o aniversário da morte será marcado pela estreia mundial do documentário Mi Amigo Hugo, dirigido pelo americano Oliver Stone, que será exibido na noite de amanhã pela rede de TV Telesur, que é bancada pelo governo chavista.

O filme, de 50 minutos, reúne depoimentos de familiares, amigos, intelectuais e políticos. “Espero que essas entrevistas, juntas, deem uma ideia do amor, do tamanho da falta que ele faz para seu povo”, disse Stone em entrevista à Telesur.

(Com agências EFE e France-Presse)

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