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Manifestações da ‘primavera árabe’ completam seis meses

Muitos países envolvidos, contudo, ainda vivem crises sociais e econômicas

Por Da Redação - 15 jun 2011, 16h38

Quando um jovem vendedor ambulante da Tunísia escolheu uma forma radical de protestar contra o confisco de suas mercadorias pela polícia, ateando fogo ao próprio corpo, ninguém poderia imaginar que seu gesto detonaria uma onda de protestos capaz de derrubar o ditador Zine el Abidin Ben Ali de seus 23 anos de reinado. Muito menos que essa onda se espalharia por vários países islâmicos do Oriente Médio e do Norte da África, no movimento que ficou conhecido como “Primavera Árabe“. No próximo dia 17, o ato desesperado do jovem tunisiano completa seis meses. Nesse prazo, além de Ben Ali, os protestos de rua derrubaram o ditador Egípcio, Hosni Mubarak. Mas a Primavera Árabe que espalhou esperanças democráticas em diversos países, no entanto, tornou-se também o estopim de uma série de conflitos, crises e graves problemas econômicos. “A situação é hoje mais difícil do que antes”, avalia Rabab al Mahdi, professora de ciência política da Universidade Americana do Cairo (AUC). “A ideia de que era possível sair às ruas para derrubar um governante, o que de fato ocorreu na Tunísia e no Egito, está sendo colocada em xeque pela resistência dos regimes na Líbia, na Síria, no Iêmen e do Barein”, explica Rabad.

Apesar das dificuldades nesses países, Isandr al Amrani, residente no Cairo e responsável pelo blog The Arabist, defende o efeito positivo das revoltas. “Elas marcam uma verdadeira rejeição dos sistemas de segurança dirigidos por famílias que reinam no centro de um modelo cada vez mais mafioso”, afirma. “As revoltas traduziram um apego da população árabe aos valores relacionados aos direitos humanos, um entusiasmo por valores universais. Não era o caso dez anos atrás.” Antoine Basbous, do Observatório dos Países Árabes (OPA) em Paris, avalia no entanto que é difícil comparar os movimentos nos diferentes países. “Apesar dos lemas muitas vezes idênticos e das esperanças compartilhadas, não há dois movimentos que se pareçam”, afirma.

Confira a seguir a situação em cada um dos países conflagrados:

Os riscos de “contágio dos protestos” a outros países são reais, embora incertos, dizem os especialistas. “Os efeitos sobre o resto da região vão depender do resultado obtido nestes países. Mas não há efeito mecânico, isso depende muito da situação interna”, observa a professora Rabab al Mahdi.

(Com agência France-Presse)

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