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Malvinas: Argentina denuncia Grã-Bretanha na ONU

Britânicos são acusados de militarizar Atlântico Sul após enviar navio às ilhas

O ministro das Relações Exteriores da Argentina, Héctor Timerman, denunciou nesta sexta-feira a Grã-Bretanha perante a ONU, alegando a militarização do Atlântico Sul depois que Londres decidiu enviar um moderno navio de guerra às Ilhas Malvinas, cuja soberania é disputada entre dois países. A disposição argentina de levar a questão à comunidade internacional já havia sido anunciada pela presidente Cristina Kirchner na última terça-feira, em um discruso na Casa Rosada.

Entenda o caso

  1. • As Ilhas Malvinas – Falkland, em inglês – ficam a cerca de 500 quilômetros do litoral argentino, mas são administradas e ocupadas pela Grã-Bretanha desde 1883.
  2. • O arquipélago sempre foi motivo de tensão entre os dois países, até que em 1982 o ditador argentino Leopoldo Galtieri comandou uma invasão ao território.
  3. • O governo britânico reagiu rapidamente, enviando às ilhas uma tropa quase três vezes maior do que à da Argentina, que se rendeu dois meses depois.
  4. • Na guerra morreram 255 militares britânicos e mais de 650 argentinos.

“Vim às Nações Unidas para fazer uma denúncia contra a Grã-Bretanha pela militarização do Atlântico Sul”, afirmou Timerman, depois de reunir-se, em Nova York, com o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, a quem entregou uma cópia da carta de denúncia que enviará mais tarde ao presidente do Conselho de Segurança. “A Grã-Bretanha é, neste momento, a potência militar mais importante que existe nessa zona e recolhi dados a respeito de temas nucleares e armas nucleares”, acrescentou o chanceler argentino.

Reação – A Grã-Bretanha, que afirma estar realizando operações militares de rotina, voltou a negar que esteja militarizando o Atlântico Sul e insistiu que qualquer ação na ONU é assunto da Argentina. “Não estamos militarizando o Atlântico Sul”, afirmou um porta-voz do ministério britânico das Relações Exteriores, depois de indagado sobre as declarações do secretário-geral da Organização de Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, que criticou o país pelo “tom belicista” dado em sua disputa com a Argentina.

“O tema das Falkland (como os britânicos chamam as Malvinas) já é discutido anualmente no C24 (Comitê Especial de Descolonização da ONU). A Grã-Bretanha não tem dúvidas sobre sua soberania nas Ilhas Falkland, e o princípio de autodeterminação, como está estabelecido na Carta da ONU, mantém nossa posição”, acrescentou.

A Argentina alega que o princípio da autodeterminação não é aplicável nesse caso, pois quando a Grã-Bretanha ocupou o arquipélago, o território malvino era praticamente desabitado. Desde o ano passado, quando intensificou sua tentativa de recolocar o tema da soberania sobre as ilhas na agenda internacional, o governo argentino trava uma guerra de palavras com o britânico, que não admite negociar sua soberania nas Malvinas.

(Com agência France-Presse)