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Mais uma vez, UE e Reino Unido prorrogam negociações pós-Brexit

Partes conduzem uma interminável saga para evitar um divórcio brutal em 31 de dezembro; pontos de conflito seguem sem resolução

Por Julia Braun 13 dez 2020, 10h00

União Europeia (UE) e Reino Unido concordaram neste domingo, 13, em prosseguir com as negociações em Bruxelas sobre sua futura relação pós-Brexit, em uma decisão que mantém viva a interminável saga para evitar um divórcio brutal em 31 de dezembro.

Em um breve comunicado conjunto, o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, anunciaram que deram instruções para que suas equipes, reunidas em Bruxelas, continuem as conversações.

“Nossas equipes de negociação trabalharam dia e noite nos últimos dias e, apesar do cansaço após quase um ano de negociações, embora os prazos não tenham sido cumpridos uma vez ou outra, acreditamos que é responsável neste momento ir um pouco mais longe”, destacaram os dois líderes. “Em consequência, ordenamos a nossas equipes de negociação que prossigam com as conversações para ver se um acordo é possível, mesmo nesta etapa tardia”, anunciaram.

Alguns minutos antes, Johnson e Von der Leyen tiveram uma conversa por telefone que o comunicado chama de “útil”. Na quarta-feira, os dois líderes concordaram que as equipes fariam um novo esforço em Bruxelas e que este domingo seria o prazo final para uma decisão sobre o destino do diálogo. A definição, no entanto, foi continuar dialogando.

Fontes da UE e do governo britânico haviam manifestado um grande pessimismo sobre as conversações, antes do anúncio surpreendente deste domingo.

“Ainda há um longo período pela frente”, repetiu neste domingo o ministro britânico das Relações Exteriores, Dominic Raab, ao canal Sky News.  “Algumas propostas, algumas sugestões que nos fizeram, são bastante extravagantes, francamente, e não se tornam mais razoáveis com a repetição”, afirmou.

A chanceler espanhola, Arancha González, pediu às partes que evitem a qualquer custo uma ruptura sem acordo. “Nas atuais circunstâncias, em plena pandemia de covid-19, seria extremamente negativo para nossas economias”, declarou a Sky News, recordando que “o Reino Unido sofreria ainda mais que a União Europeia”.

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O primeiro-ministro da Irlanda, Micheál Martin, cujo país seria o mais afetado da UE por um Brexit sem acordo, também pediu a continuidade dos esforços. “Seria um fracasso político se não estivéssemos em condições de conseguir um acordo”, declarou à BBC.

Anos de negociações

O Reino Unido abandonou oficialmente a UE em 31 de janeiro e a partir de março Londres e Bruxelas começaram a negociar um acordo comercial que deveria entrar em vigor em 1 de janeiro de 2021.

Mas as negociações ficaram bloqueadas em três temas: acesso dos navios pesqueiros europeus a águas britânicas, normas de concorrência para o acesso de empresas britânicas ao mercado europeu e o futuro mecanismo de solução de divergências. Dos três, a questão sobre as normas de concorrência é a que apresenta os maiores desafios.

Londres informou no sábado que quatro navios da Marinha Real estão preparados para proteger as águas britânicas de potenciais tensões com embarcações europeias, em caso de fracasso das negociações.

As duas partes ainda aguardam a hora da verdade, quatro anos e meio depois do histórico referendo de 2016 em que o Reino Unido decidiu por 52% dos votos acabar com quase cinco décadas de uma relação tensa com a UE e tornar-se o primeiro país a sair do bloco.

Londres acusou nas últimas semanas Bruxelas de endurecer repentinamente sua posição, talvez motivada pelo temor de países como a França – que ameaçou vetar o acordo – de fazer muitas concessões para obter “um acordo a qualquer preço”. A UE negou qualquer mudança de atitude.

Durante a semana, a UE apresentou medidas de emergência para o caso de não alcançar um acordo, com o objetivo de manter o bom funcionamento do transporte terrestre e aéreo durante seis meses, desde que Londres faça o mesmo, e garantir que os barcos de pesca tenham acesso às águas dos dois lados em 2021. O plano será examinado na quarta-feira no Parlamento Europeu.

(Com AFP)

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