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Mais mortes em novos confrontos entre manifestantes e policiais no Cairo

Por Por Jailan ZAYAN 3 fev 2012, 14h19

Dois manifestantes morreram nesta sexta-feira ao inalar gás lacrimogêneo durante os novos confrontos que explodiram no Cairo e entre manifestantes que protestavam contra o poder militar e policiais.

No dia anterior, três pessoas morreram e centenas ficaram feridas no país. Os confrontos recomeçaram no início desta tarde no Cairo e em Suez (nordeste), onde dois manifestantes foram mortos na noite de quinta-feira, segundo os correspondentes da AFP no local.

No Cairo, próximo ao ministério do Interior, policiais da tropa antidistúrbios lançaram gás lacrimogêneo nos manifestantes, que responderam com pedras. Dois manifestantes morreram asfixiados.

Manifestantes mascarados cortaram o arame farpado para se aproximar do prédio do governo e provocaram incêndios em uma rua de acesso ao ministério.

Não muito longe dali, centenas de pessoas, reunidas para a oração de sexta-feira na emblemática Praça Tahir, balançavam bandeiras e cantavam contra o regime militar, que governa o país desde a queda do regime de Hosni Mubarak.

Centenas de pessoas, saídas de várias mesquitas de toda a capital, marcharam em direção ao Parlamento.

Confrontos entre policiais e manifestantes também recomeçaram em Suez, onde a violência fez dois mortos na madrugada desta sexta-feira.

A polícia usou gás lacrimogêneo e atirou para tentar dispersar os manifestantes, segundo um jornalista da AFP que viu ambulâncias evacuando feridos sob uma chuva de pedras.

Além disso, um soldado de 24 anos não resistiu aos ferimentos e morreu nesta sexta-feira após ter sido esmagado entre um carro e uma viatura da polícia durante os confrontos perto do ministério, anunciou a agência de notícias oficial Mena.

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No início desta tarde, o ministério do Interior divulgou um balanço de 1.482 feridos desde quinta-feira.

Organizações pró-democracia convocaram os manifestantes para exigir a renúncia imediata do Conselho Superior das Forças Armadas (CSFA), dirigido pelo marechal Hussein Tantawui e encarregado da delicada transição democrática.

O CSFA assumiu a responsabilidade pela morte das 74 pessoas e as centenas de feridos na quarta-feira no estádio de Port-Said (norte), após a primeira derrota da temporada do famoso clube Al-Ahly para o time local Al-Masry (3-1).

Este drama, um dos piores da história do futebol, já tinha provocado manifestações na quinta-feira em todo o país contra a inércia das forças de segurança.

“Eles sabem proteger um ministério, mas não um estádio!”, gritavam os manifestantes. “O povo quer a execução do marechal! Saia!”.

O tumulto de Port-Said “aconteceu enquanto o serviço de segurança permaneceu de pé sem fazer nada”, escreveu Ibrahim Mansour, um editor do jornal independente Al-Tahrir, afirmando que o CSFA “provou a sua incapacidade”.

Os egípcios estão cada vez mais revoltados com o poder militar, acusado de violar os direitos Humanos, e exigem o fim dos julgamentos de civis em tribunais militares, o respeito das liberdades e da justiça social, além da passagem do poder para a sociedade civil.

O CSFA quer deixar o poder apenas no final de junho, depois da realização de uma eleição presidencial.

Na tentativa de acalmar a população, os militares organizaram eleições legislativas, que foram vencidas pelos islamitas. Mas, isso não foi o suficiente, e muitas personalidades e organizações de defesa dos direitos Humanos afirmam que os militares vão tentar manter certos poderes.

Em um incidente isolado, beduínos sequestraram dois turistas americanos e seu guia egípcio, após pararem o ônibus na estrada do monastério de Santa Catharina, no sul da península do Sinai, segundo responsáveis da segurança. Os sequestradores exigiam a libertação de parente, mas horas depois libertaram o grupo.

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