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Mais de 90% dos casos de ataques de israelenses a palestinos são arquivados

Jerusalém, 19 dez (EFE).- Cerca de 91% das investigações sobre crimes cometidos por israelenses contra palestinos no território ocupado da Cisjordânia são arquivadas sem que os processos sejam levados adiante, denuncia nesta segunda-feira a ONG israelense Yesh Din em comunicado.

A maioria dos casos nos quais foram investigados danos a palestinos e suas propriedades por civis israelenses na Cisjordânia, geralmente de colonos judeus ou radicais de direita, foram fechados devidos a erros judiciais na hora de encontrar os suspeitos e colher provas.

Os dados divulgados pela Yesh Din (A Justiça existe, em hebraico) se baseiam em um estudo de 760 casos investigados pela Polícia do Distrito da Judeia e Samaria (nomes com os quais Israel denomina oficialmente a Cisjordânia) em resposta a denúncias apresentadas por residentes palestinos desse território de delitos cometidos por civis israelenses contra eles e suas propriedades.

A ONG revela que apenas 7,5% das investigações sobre esse tipo de denúncia levaram à apresentação de acusações contra os agressores. ‘A maioria das investigações – cerca de 90% – terminou arquivada por motivos que indicaram erros judiciais (autor do delito desconhecido, provas insuficientes)’, destaca o comunicado.

A ONG ressalta que os resultados demonstraram que ‘o Estado de Israel continua fracassando em cumprir sua obrigação de fixar um mecanismo para reforçar a lei sobre civis israelenses que cometem delitos – alguns extremamente graves – contra civis palestinos nos territórios sob ocupação militar’.

O diretor-geral da Yesh Din, Haim Erlich, afirma na nota que ‘os dados são uma clara demonstração de que a Cisjordânia é um território sem lei’. Ele acusa as autoridades israelenses de serem responsáveis por ‘negligência constante’, que ‘estimula os criminosos’ a continuarem com suas ações.

Nos últimos dias, colonos e radicais nacionalistas israelenses destruíram mesquitas, arrancaram árvores e danificaram veículos palestinos, além de atacarem uma base militar israelense, ações classificadas como ‘política do preço’, em resposta a retiradas ou anúncios de desmantelamentos de assentamentos judaicos. EFE