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Mais de 5.000 europeus se uniram à jihad na Síria e no Iraque

Os dados são da União Europeia. Comissária europeia de Justiça, porém, afirma que o número é "muito subestimado"

Entre 5.000 e 6.000 voluntários europeus viajaram à Síria e ao Iraque para lutar ao lado dos jihadistas do Estado Islâmico e outros grupos, afirmou a comissária europeia de Justiça, a checa Vera Jourova, em uma entrevista ao jornal francês Le Figaro. Ela também destacou que dentre os milhares de jovens europeus que se juntaram aos extremistas, pelo menos “1.450 são cidadãos da França”, a nação em que esse problema é mais latente.

A comissária, no entanto, teme que o número esteja “muito subestimado” e que haja mais europeus entre os extremistas do que a estimativa oficial. A discrepância se dá porque os dados oficiais contabilizam majoritariamente o número de pessoas que viaja de aviões, com formas de controle mais mensuráveis, como a lista oficial de passageiros. No entanto, muitos europeus vão à Síria e ao Iraque atravessando fronteiras terrestres, pela Turquia, por exemplo. As fronteiras terrestres são mais porosas e têm menos rigor no controle de entrada e saída de pessoas.

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Para impedir a viagem dos simpatizantes do jihadismo, a comissária defende a “prevenção mais que a repressão”, já que a segunda “chega muito tarde e costuma ser ineficaz”. Segundo Vera, para intensificar a prevenção, a União Europeia tem em 2015 um orçamento de 2,5 milhões de euros. Outro ponto a ser reforçado é cooperação entre as instituições policiais e judiciais europeias.

“O intercâmbio de informações e práticas deve ser sistemático e automático”, disse, ressaltando também a necessidade de equipes de investigação conjuntas, sobretudo em países em que os cidadãos atravessam as fronteiras para ambos os lados cotidianamente para trabalhar ou estudar, como entre a França e a Bélgica, por exemplo.

Vera Jourova defende também a criação do cargo de procurador europeu para investigar casos específicos. “Desde sua constituição histórica, a procuradoria europeia é mais especializada em fraudes financeiras ao orçamento da União Europeia. Com o tempo, é possível pensar em ampliar as prerrogativas e pensar em um procurador especialista em combater o crime organizado entre fronteiras e o tráfico de pessoas, por exemplo”.

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As autoridades europeias se preocupam com o número crescente de seus cidadãos que combatem ao lado de jihadistas na Síria e no Iraque. Por terem passaporte europeu, quando essas pessoas retornam do Oriente Médio, elas podem circular livremente pela Europa e podem também entrar nos Estados Unidos e outros países ocidentais sem a necessidade de visto ou entrevista prévia. Hoje as áreas de segurança e inteligência europeia esforçam-se cada vez mais para identificar pessoas radicais e potenciais terroristas entre os europeus que retornam do Oriente Médio.

(Da redação)