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Mais de 200 pessoas foram detidas em protesto em Hong Kong

Escolhida por Pequim, a líder local Carrie Lam acusa escolas de envenenarem estudantes e promete reforma escolar até o final do ano

Por Da Redação - Atualizado em 11 May 2020, 20h37 - Publicado em 11 May 2020, 20h31

As autoridades de Hong Kong anunciaram nesta segunda-feira, 11, que prenderam 230 pessoas durante as manifestações no domingo 10 que pediam maior autonomia do governo local em relação a Pequim. A chefe do Executivo de Hong Kong, Carrie Lam, acusou as instituições de ensino de “envenenarem” as crianças e prometeu uma reforma no sistema escolar a ser apresentada até o final deste ano.

Dentre os detidos estão pessoas de 12 a 65 anos de idade, acusadas pelas autoridades de delitos como perturbação da paz, agressão contra um policial e não apresentação de prova de identidade. Um homem de 22 anos foi encontrado com materiais que a polícia acredita serem destinados a fazer bombas de gasolina.

Grupos pequenos de manifestantes se mobilizaram em pelo menos oito centros comerciais em Hong Kong no domingo, em meio ao movimento de compras durante o feriado do Dia das Mães. Em alguns casos, os protestos foram convocados pela internet como “chamadas para cantar slogans e músicas pró-democracia”, reporta o portal de notícias Hong Kong Free Press. Um requerimento formal às autoridades para a permissão de uma marcha no domingo fora rejeitada.

Centenas de policiais da tropa de choque foram acionados para dispersar os manifestantes. A Autoridade Hospitalar, entidade responsável pela administração dos hospitais públicos de Hong Kong, disse que 18 pessoas foram hospitalizadas. Imagens transmitidas ao vivo pelo repórter Ezra Cheung, do jornal The New York Times, comprovam cenas de violência policial no distrito de Mong Kok.

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Além disso, as autoridades foram acusadas de se recusar a prestar socorro a jornalistas agredidos no meio dos confrontos. “Alguns jornalistas que foram atingidos com spray de pimenta não tiveram permissão para receber tratamento imediato e foram solicitados a interromper as filmagens”, disse Chris Yeung, presidente da Associação de Jornalistas de Hong Kong.

‘Envenenados’

Em resposta aos protestos, Lam, que foi apontada ao cargo de chefe do Executivo de Hong Kong pelo governo central da China, acusou as escolas da região de disseminarem “informações falsas e enviesadas” e disse que é função do governo proteger os estudantes de serem “envenenados”.

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Lam ainda prometeu, em entrevista ao jornal pró-Pequim Ta Kung Pao, apresentar até o final deste ano uma proposta de reforma escolar especialmente em relação aos liberal studies, formação acadêmica multidisciplinar voltada às ciências humanas.

A prisão de 15 dos mais conhecidos ativistas pró-autonomia, como o magnata Jimmy Lai, no início de abril e a preocupação com o aperto cada vez maior de Pequim na cidade reviveu a onda de protestos iniciadas em 2019, estagnados pela pandemia da Covid-19. Segundo o Times, mais de 1.000 pessoas em Hong Kong foram atingidas pelo coronavírus.

Após chegar na quarta-feira 6 a 17 dias seguidos sem novos casos de contaminação local, porém, as autoridades de Hong Kong permitiram a reabertura parcial de bares, restaurantes e cinemas, dentre outros lugares a partir de sexta 8.

(Com Reuters)

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