Mais de 10.000 crianças imigrantes estão desaparecidas na Europa

Segundo o Serviço Europeu de Polícia, os menores de idade estão sujeitos à exploração por traficantes

Por Da Redação - 1 fev 2016, 08h13

Mais de 10.000 crianças imigrantes desacompanhadas desapareceram na Europa entre os últimos 18 e 24 meses, informou o Serviço Europeu de Polícia ao jornal britânico The Observer, acrescentando que muitas delas devem estar sendo exploradas, principalmente de forma sexual, pelo crime organizado. A Europol, com sede em Haia, na Holanda, lamentou o crescimento de uma “estrutura criminosa” pan-europeia, que tem tirado proveito da crise imigratória no continente.

Brian Donald, um dos diretores da organização, estima que cerca de 5.000 dessas crianças tenham desaparecido na Itália, uma das portas de entrada para os imigrantes vindos do Mediterrâneo. “Não é irracional dizer que estamos falando de um total de mais de 10.000 crianças”, explica Donald. “Mas nem todas estariam sendo exploradas para fins criminosos”.

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Também segundo a Europol, cerca de um milhão de imigrantes chegaram à Europa em 2015. Aproximadamente 27% deles são crianças. “Nem todos os menores de idade estão desacompanhados, mas temos provas de que uma grande parte deles poderia estar sem adultos responsáveis”, afirma Donald. O número de crianças desaparecidas foi obtido com base em informações fornecidas pelos países europeus ou disponíveis publicamente na internet.

A Europol garante que existe uma “infra-estrutura criminosa” pan-europeia que visa os migrantes para diversos fins. Na Alemanha e na Hungria, em particular, um grande número de criminosos foram detidos por exploração de imigrantes.

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Para o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), o endurecimento das políticas fronteiriças dos países europeus facilita a ação dos traficantes, que exploram a vulnerabilidade dos menores desacompanhados. A agência da ONU pede que o sistema europeu se atente mais às necessidades das crianças, para que essas não sejam vítimas de abusos e exploração.

(Com agência France-Presse)

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