Group 21 Copy 4 Created with Sketch.

Mais 28 mineiros receberam alta do hospital de Copiapó

Eles somam-se aos outros três que já haviam voltado para casa; apenas dois ainda estão em observação

“Ele me falou que coisas muito fortes aconteceram lá embaixo na mina, mas que contaria aos poucos”, disse a mulher de Carlos Mamani

Vinte e oito dos 33 mineiros resgatados da mina San José na última quarta-feira deixaram o hospital de Copiapó, nesta sexta, informou o jornal chileno La Tercera, citando fontes médicas. Eles somaram-se aos outros três operários, que receberam alta no dia anterior. Dois trabalhadores permanecem em observação.

A diretora do Serviço de Saúde do Atacama, Paola Neumann, informou que os dois mineiros que não receberam alta vão ser transferidos para as dependências da Associação Chilena de Segurança, pois seus casos não são de alta complexidade.

Um destes dois seria o mineiro Mario Sepúlveda, que apresenta vertigens. O segundo, cujo nome não foi divulgado, teria problemas dentários.

Celebridades – A maioria dos mineiros deixou o hospital no fim da tarde e tentou despistar a imprensa. Os trabalhadores mal saíram da mina e já sofrem com o assédio de jornalistas e curiosos em geral.

Imprensa em frente a casa de Carlos Mamani em Copiapó, Chile, no dia 15 de outubro de 2010 Imprensa em frente a casa de Carlos Mamani em Copiapó, Chile, no dia 15 de outubro de 2010

Imprensa em frente a casa de Carlos Mamani em Copiapó, Chile, no dia 15 de outubro de 2010 (/)

A reportagem do site de VEJA visitou, nesta sexta-feira, a casa do mineiro boliviano Carlos Mamani, localizada em uma favela na periferia de Copiapó, e teve a mesma impressão. Mais de dez jornalistas, da Argentina, Chile e Estados Unidos, tentavam contato com a família. De dentro do barraco, contudo, só se ouvia o som alto de uma música latina, que parecia tentar abafar o barulho das vozes do lado de fora.

Condição psicológica – No dia anterior, a mulher de Mamani afirmou ao site de VEJA que o marido estava extremamente assustado e chorava muito. “Ele me falou que coisas muito fortes aconteceram lá embaixo na mina, mas que contaria aos poucos”, disse.

Perguntado sobre o assunto, o chefe da equipe de psicólogos que tratou os mineiros, Alberto Iturra, afirmou que o nervosismo de Mamani era normal devido à situação. “Todos os mineiros estão extasiados com toda esta situação, o que prejudica o estado psicológico deles”, justificou.

(Com reportagem de Manuela Franceschini)