Maioria expressiva dos argentinos desaprova ataques de Milei a Lula, revela pesquisa
Sequência de insultos e acusações gerou crise inédita e levou o Brasil a rebaixar relação diplomática
A maioria dos argentinos desaprova os ataques do presidente Javier Milei contra Luiz Inácio Lula da Silva (PT), segundo pesquisa da consultoria argentina Zubán Córdoba divulgada na segunda-feira 10. O levantamento aponta que 70,5% dos entrevistados disseram rejeitar os insultos do líder do país contra o brasileiro, enquanto 20% aprovam a postura e 9,5% não souberam ou não responderam.
Questionados sobre a importância do Brasil para a economia argentina, 88,9% dos respondentes consideram importante, 10,5% disseram não ser importante e 0,6% afirmaram não saber. A Argentina tem no vizinho seu maior parceiro comercial, enquanto o país de Milei ocupa o terceiro lugar no ranking para o Brasil, depois de China e Estados Unidos.
“Confrontar o Lula pode servir para a épica libertária, mas escalar com o Brasil tem um baixo apoio social, alto custo político e econômico”, avaliou a consultoria Zubán Córdoba sobre os dados.
A pesquisa foi realizada entre os dias 8 e 10 de agosto, on-line, com base em 1.200 entrevistas. De acordo com o instituto argentino, a margem de erro é de 2,83% para mais ou para menos e o nível de confiança da pesquisa é de 95%.
Sequência de insultos
A divulgação dos resultados ocorrem em meio à escalada de tensão na relação entre os dois países. Em 25 de julho, ao participar da convenção nacional do Partido Liberal (PL) que lançou oficialmente a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência, Milei chamou o presidente brasileiro de “presidiário” ” e “lixo socialista“, dirigindo críticas ainda ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF) (“lixo careca”).
Nas semanas seguintes, em entrevistas à imprensa argentina, Milei acusou o Brasil de liderar uma “campanha anti-Argentina” durante a Copa do Mundo, alegou que Lula teria enviado marqueteiros ao seu país para interferir nas eleições presidenciais de 2023 para apoioar o candidato peronista Sérgio Massa (derrotado pelo ultradireitista) e voltou a insultar o brasileiro de de “ladrão” e “corrupto”, questionando decisões do Supremo que anularam suas condenações nos processos da Lava Jato. Além disso, passou a compartilhar nas redes sociais mensagens contra o petista.
Crise diplomática
A representação entre os dois países foi afetada pelo impasse: o Itamaraty decidiu rebaixar a relação diplomática. Atualmente, Brasil e Argentina estão atualmente sem seus embaixadores em Buenos Aires e Brasília, e os assuntos bilaterais são conduzidos por encarregados de negócios. O chanceler Mauro Vieira afirmou que a recomposição dos postos de embaixador poderá ocorrer depois que forem eliminadas as circunstâncias que levaram ao quadro atual.
“Precisamos ser muito claros quanto a isso, pelo bem dessa relação: esse tipo de agressão deve cessar imediatamente para que possamos trabalhar no vínculo bilateral, que é tão importante”, disse Vieira, chanceler de Lula, ao jornal argentino Clarín. Vieira afirmou que Brasília continua tratando a Argentina como um parceiro estratégico e que o governo espera uma demonstração equivalente por parte da administração Milei.







